Art. 479 da CLT: o que diz e indenização da multa

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Muitos trabalhadores com um contrato por prazo determinado são demitidos sem justa causa antes do fim do contrato e não sabem que têm direito a uma indenização.

Além disso, não é raro que as pessoas não saibam como essa indenização é calculada e quais são as condições para recebê-la.

Por isso, neste artigo, explicaremos tudo o que você precisa saber sobre o art. 479 da CLT, que prevê a indenização por quebra de contrato por prazo determinado. Continue a leitura!

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O que é o art. 479 da CLT?

O art. 479 da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) estabelece que, em contrato por prazo determinado, se a empresa demitir o funcionário sem justa causa antes do término, deve pagar uma indenização de 50% do valor que ele receberia até o fim do contrato

O art. 479 da CLT diz o seguinte:

Nos contratos que tenham termo estipulado, o empregador que, sem justa causa, despedir o empregado será obrigado a pagar-lhe, a título de indenização, e por metade, a remuneração a que teria direito até o termo do contrato.”

Isso acontece porque o vínculo já tinha uma data final prevista, e a interrupção antes desse prazo gera o direito à compensação financeira.

Por exemplo, se o empregado tem um contrato de experiência de 90 dias, com salário de R$ 2.000,00, e é demitido sem justa causa no 60º dia, ele terá direito a receber, além das verbas rescisórias normais, uma indenização de R$ 1.000,00, que corresponde à metade do salário de 30 dias que ele deixou de receber.

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Em quais contratos o art. 479 se aplica?

O artigo 479 da CLT pode ser aplicado em situações envolvendo contratos por prazo determinado em que o trabalhador é demitido antes do combinado:

  • Contratos por prazo determinado: trabalho que já começa com data definida para início e término, como nos contratos de experiência, safra ou obra certa
  • Demissão antes do prazo: acontece quando a empresa encerra o vínculo antes da data que tinha sido acordada no início
  • Demissão sem justa causa: ocorre quando o trabalhador é demitido sem um motivo previsto na lei que justifique a saída imediata
  • Sem cláusula de rescisão recíproca: situações em que o contrato não traz uma regra específica, permitindo a demissão antecipada sem seguir as regras normais da CLT 

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A Reforma Trabalhista mudou a indenização do art. 479?

A Reforma Trabalhista de 2017, que alterou diversos pontos da CLT, não modificou o texto do art. 479.

No entanto, a lei não é clara sobre como ficou a indenização do art. 479, mas há duas possíveis interpretações:

  • A primeira é que a indenização do art. 479 também deve ser paga pela metade, seguindo a lógica do acordo. Assim, o empregado receberia 25% da remuneração que teria direito até o fim do contrato.
  • A segunda é que a indenização do art. 479 deve ser paga integralmente, pois ela não está entre as verbas que podem ser reduzidas pelo acordo. Assim, o empregado receberia 50% da remuneração que teria direito até o fim do contrato.

A questão ainda não foi pacificada pela jurisprudência, ou seja, pelos tribunais trabalhistas.

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Portanto, cabe ao juiz decidir qual das interpretações é mais adequada ao caso concreto, considerando os princípios e as normas do direito trabalhista.

Como funciona a indenização do art. 479 da CLT?

A indenização do art. 479 da CLT funciona como uma compensação paga ao trabalhador quando há demissão sem justa causa em contrato por prazo determinado antes do término combinado.

Ela é classificada como verba de natureza indenizatória, não estando sujeita à contribuição previdenciária, recolhimento do FGTS e Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF).

Por isso, esse valor também não integra o cálculo de outras verbas trabalhistas, como férias, 13º salário, horas extras ou adicionais.

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Quem é isento de pagar a indenização?

Nem todos os empregadores estão obrigados a pagar a indenização do art. 479 da CLT. Há algumas situações em que essa multa não se aplica, como:

  • Quando o contrato por prazo determinado é encerrado por culpa recíproca, ou seja, quando tanto o empregador quanto o empregado cometem faltas graves que justificam a rescisão do contrato. Nesse caso, o art. 484 da CLT prevê que as verbas rescisórias devem ser pagas pela metade, sem a indenização do art. 479
  • Quando o contrato por prazo determinado é encerrado por força maior, ou seja, quando ocorre um evento imprevisível e inevitável que impede a continuidade do contrato. Nesse caso, o art. 501 da CLT prevê que as verbas rescisórias devem ser pagas pela metade, sem a indenização do art. 479
  • Quando o contrato por prazo determinado é encerrado por motivo de aposentadoria do empregado. Nesse caso, o art. 453 da CLT prevê que o contrato de trabalho se extingue sem direito à indenização do art. 479
  • Quando o contrato por prazo determinado é encerrado por morte do empregado. Nesse caso, o art. 475 da CLT prevê que o contrato de trabalho se extingue sem direito à indenização do art. 479, mas com direito ao pagamento das verbas rescisórias aos dependentes ou sucessores do empregado

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Como calcular o valor da multa de indenização por quebra de contrato?

Para calcular o valor da multa de indenização por quebra de contrato, é preciso seguir os seguintes passos:

  • Identificar o tipo de contrato por prazo determinado (experiência, safra, obra certa, etc.) e o seu prazo de duração
  • Multiplicar o salário do empregado pelo número de dias que faltavam para o fim do contrato
  • Dividir o resultado por 30, para obter o valor mensal da remuneração que o empregado teria direito até o fim do contrato
  • Multiplicar o valor mensal por 0,5, para obter o valor da indenização por quebra de contrato

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Quanto é a multa por quebra de contrato de experiência?

Por exemplo, suponhamos que um empregado tem um contrato de experiência de 45 dias, com salário de R$ 1.500,00, e é demitido sem justa causa no 30º dia.

O cálculo da indenização seria:

  • 45 – 30 = 15 dias que faltavam para o fim do contrato
  • R$ 1.500,00  x 15 = R$ 22.500,00
  • R$ 22.500,00 / 30 = R$ 750,00
  • R$ 750,00 x 0,5 = R$ 375,00

Portanto, o valor da indenização por quebra de contrato seria de R$ 375,00.

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Em quanto tempo a empresa tem que pagar a indenização do Art. 479?

A empresa tem que pagar a indenização do art. 479 da CLT em até 10 dias corridos a partir do dia seguinte ao término do contrato, junto com as demais verbas rescisórias.

Nesse prazo, deve ser feita a quitação completa de todos os valores devidos ao trabalhador.

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Diferenças entre o artigo 479 e o artigo 480

O artigo 479 da CLT não é o único que trata da indenização por quebra de contrato por prazo determinado.

Há também o artigo 480, que prevê uma situação inversa: quando é o empregado pede demissão antes do fim do contrato. Nesse caso, o art. 480 da CLT diz o seguinte:

Havendo termo estipulado, o empregado não poderá se desligar do contrato, sem justa causa, sob pena de ser obrigado a indenizar o empregador dos prejuízos que desse fato lhe resultarem.

Isso significa que, se o empregado quiser sair do contrato por prazo determinado, sem que haja uma razão grave que justifique a sua rescisão, ele terá que pagar uma multa ao empregador, correspondente aos prejuízos que o empregador sofrerá com a sua saída.

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Mas como se calcula esse prejuízo? O parágrafo único do art. 480 da CLT estabelece um limite para essa multa:

Essa indenização, porém, não poderá exceder àquela a que teria direito o empregado, em idênticas condições.

Isso significa que a multa que o empregado terá que pagar ao empregador não pode ser maior do que a multa que o empregador teria que pagar ao empregado, se o demitisse sem justa causa.

Ou seja, a multa não pode ser maior do que 50% da remuneração que o empregado teria direito até o fim do contrato.

Por exemplo, se o empregado tem um contrato de obra certa de 180 dias, com salário de R$ 3.000,00, e pede demissão no 120º dia, ele terá que pagar uma multa ao empregador, que será calculada da seguinte forma:

  • Identificar o prejuízo que o empregador teve com a saída do empregado, como custos de contratação, treinamento, substituição, etc
  • Verificar se esse prejuízo é menor ou maior do que 50% da remuneração que o empregado teria direito até o fim do contrato
  • Se o prejuízo for menor, a multa será igual ao prejuízo
  • Se o prejuízo for maior, a multa será limitada a 50% da remuneração que o empregado teria direito até o fim do contrato

Suponha que o prejuízo do empregador foi de R$ 2.000,00. Nesse caso, a multa seria:

  • 180 – 120 = 60 dias que faltavam para o fim do contrato
  • R$ 3.000,00 x 60 (dias) = R$ 180.000,00
  • R$ 180.000,00 / 30 = R$ 6.000,00
  • R$ 6.000,00 x 0,5 = R$ 3.000,00
  • R$ 3.000,00 > R$ 2.000,00
  • Multa = R$ 2.000,00

Portanto, o valor da multa seria de R$ 2.000,00, sendo o prejuízo do empregador, já que é menor do que a indenização a qual o empregado teria direito na situação inversa.

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FAQ

Perguntas frequentes

Qual é a multa do artigo 479 da CLT?

O artigo 479 da CLT prevê que nos contratos de trabalho por prazo determinado, o empregador que demitir o empregado sem justa causa antes do término do contrato deverá pagar uma indenização correspondente à metade da remuneração que o empregado teria direito até o fim do contrato.

Ainda tem dúvidas?

Como calcular a indenização do artigo 479 da CLT?

Para calcular a indenização do artigo 479 da CLT, é preciso saber o valor da remuneração mensal do empregado e o tempo restante do contrato. Assim, a Indenização é igual a (Remuneração mensal x Tempo restante do contrato)

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Como calcular a multa de estabilidade art. 480 CLT?

Para calcular a multa de estabilidade do artigo 480 da CLT, é preciso usar a mesma fórmula do artigo 479 da CLT, porém invertendo os papéis do empregador e do empregado. Ou seja, a multa estabilidade é igual a (Remuneração mensal x Tempo restante do contrato)

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Cecília Bezerra Cecília Bezerra

Cecília Bezerra é formada em Marketing e traz bagagem em Letras. Na meutudo há mais de 4 anos, acumula o mesmo tempo no mercado de crédito. No blog, escreve principlamente sobre Educação Financeira, mas também colabora com outros temas úteis do universo das finanças. No fim, Cecília é a típica geminiana curiosa, que após passar pelos cursos de Direito e Letras, se encontrou no Marketing aqui na meutudo, onde coloca sua criatividade e comunicabilidade todos os dias a serviço do nosso time.

730 artigos escritos