Como abrir empresa de pequeno porte: guia para empreender

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Abrir o próprio negócio é o sonho de muitas pessoas que desejam conquistar autonomia financeira e transformar uma ideia em fonte de renda. No Brasil, grande parte das empresas começam como pequenos negócios.

Para quem deseja abrir uma empresa de pequeno porte, é importante entender as etapas legais, financeiras e estratégicas antes de dar o primeiro passo. 

A seguir, saiba o que caracteriza uma empresa de pequeno porte, quais são as vantagens desse modelo, quanto custa abrir um negócio e quais cuidados tomar para evitar erros comuns no início da jornada empreendedora.

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O que é uma empresa de pequeno porte?

Uma empresa de pequeno porte (EPP) é uma classificação empresarial utilizada no Brasil para identificar negócios que possuem determinado nível de faturamento anual e estrutura organizacional. 

Esse enquadramento está previsto na legislação brasileira e ajuda a diferenciar empresas de acordo com o seu tamanho e capacidade econômica.

Para ser considerada uma EPP, a empresa deve ter faturamento bruto anual superior a R$ 360 mil e limitado a R$ 4,8 milhões. Esse limite foi atualizado ao longo dos anos, antes de 2018, por exemplo, o teto era de R$ 3,6 milhões.

Além do faturamento, o número de colaboradores também costuma ser usado como referência para caracterizar o porte da empresa. 

Saiba mais: 10 melhores negócios que dão lucro em cidades pequenas

Negócios que atuam no comércio ou na prestação de serviços geralmente possuem entre 10 e 49 funcionários, enquanto empresas dos setores de indústria ou construção podem ter entre 20 e 99 colaboradores.

Classificar as empresas por porte é importante porque permite que regras fiscais, trabalhistas e administrativas sejam aplicadas de forma mais equilibrada. 

Isso evita que pequenos negócios tenham as mesmas obrigações de empresas muito maiores.

Outro ponto relevante é que empresas de pequeno porte podem optar pelo Simples Nacional, um regime tributário simplificado que reúne diversos impostos em uma única guia de pagamento. 

Esse modelo costuma facilitar a gestão financeira e, em muitos casos, reduzir a carga tributária para o empreendedor.

Vantagens de abrir uma empresa de porte pequeno

Abrir uma empresa de pequeno porte pode trazer diversas vantagens para quem deseja começar a empreender com mais segurança e menos burocracia. 

Esse modelo de negócio costuma oferecer condições mais acessíveis para gestão, tributação e acesso a recursos financeiros, o que facilita a organização do empreendimento nos primeiros anos de atividade.

Entre os principais benefícios de ter uma empresa de pequeno porte estão:

  • Tributação simplificada: empresas enquadradas como microempresa ou EPP podem optar pelo Simples Nacional, regime que reúne vários impostos em uma única guia de pagamento (DAS)
  • Menos burocracia administrativa: pequenos negócios possuem menos obrigações acessórias e processos mais simples de registro e manutenção, o que facilita a gestão contábil e a regularização da empresa
  • Maior facilidade de acesso a crédito: bancos e instituições financeiras costumam oferecer linhas de financiamento específicas para micro e pequenas empresas, muitas vezes com taxas mais competitivas e condições diferenciadas
  • Vantagens em licitações públicas: de acordo com a legislação brasileira, empresas de pequeno porte podem ter preferência em processos de compra do governo, o que abre oportunidades de novos contratos e expansão do negócio
  • Mais agilidade na gestão do negócio: empresas menores costumam ter estruturas mais enxutas, o que permite tomar decisões com mais rapidez e adaptar estratégias de forma mais dinâmica conforme o mercado
  • Maior credibilidade no mercado: ter um CNPJ formalizado permite emitir notas fiscais, fechar contratos com fornecedores e transmitir mais confiança aos clientes, fortalecendo a imagem da empresa

Começar com uma empresa de pequeno porte pode ser uma estratégia inteligente para quem deseja empreender de forma estruturada, reduzindo custos iniciais e mantendo flexibilidade para crescer conforme o negócio se desenvolve.

Entenda: Como empreender com pouco dinheiro: ideias e passos iniciais

Passo a passo para abrir empresa de pequeno porte

Abrir uma empresa exige mais do que apenas ter uma boa ideia de negócio. É necessário seguir algumas etapas legais e administrativas para garantir que o empreendimento funcione de forma regular. 

Confira abaixo um passo a passo que ajuda a entender as principais etapas para abrir uma empresa de pequeno porte no Brasil.

1. Faça um planejamento detalhado

Antes de iniciar o processo de abertura da empresa, é necessário organizar bem a ideia do negócio

Um bom planejamento ajuda a entender se o empreendimento é viável e quais caminhos seguir para que ele tenha mais chances de sucesso.

Nesse momento, vale refletir sobre algumas questões importantes, como qual problema o negócio pretende resolver, quem será o público-alvo, quais concorrentes já atuam no mercado e qual será o diferencial oferecido. 

Depois dessa análise inicial, é recomendável elaborar um plano de negócios simples, incluindo estimativa de custos, capital inicial necessário, estratégia de divulgação e expectativa de faturamento. 

Esse planejamento também facilita a tomada de decisões e reduz riscos. Outro ponto importante é contar com o apoio de um contador desde o início. 

Esse profissional auxilia na parte burocrática da abertura da empresa e orienta sobre obrigações fiscais, tributação e organização financeira.

Confira: Como conquistar e manter clientes? Dicas para empreendedores

2. Escolha a natureza jurídica

A natureza jurídica define como a empresa será estruturada legalmente e qual será a responsabilidade do empreendedor em relação às obrigações do negócio. 

Uma das possibilidades mais comuns é a empresa individual, em que não existe separação entre o patrimônio da pessoa física e o da empresa.

Também é uma opção comum a sociedade unipessoal, que permite abrir um negócio sozinho mantendo a separação entre bens pessoais e patrimônio empresarial.

Outra alternativa bastante utilizada é a sociedade limitada (LTDA), em que dois ou mais sócios dividem o capital da empresa e respondem pelas obrigações conforme sua participação no negócio. 

Já a sociedade anônima costuma ser adotada por empresas maiores, pois envolve divisão do capital em ações e regras mais complexas de gestão.

A definição da natureza jurídica influencia aspectos importantes do empreendimento, como responsabilidade dos sócios, estrutura administrativa e regras de funcionamento.

3. Defina o regime tributário

O regime tributário é o sistema utilizado pelo governo para calcular e cobrar os impostos de uma empresa. 

Escolher a opção adequada pode impactar diretamente os custos do negócio e a organização financeira.

Entre os regimes mais conhecidos está o Simples Nacional, bastante utilizado por micro e pequenas empresas por reunir diversos tributos em uma única guia de pagamento. Esse modelo costuma simplificar a rotina fiscal e reduzir a burocracia.

Também existe o Lucro Presumido, em que os impostos são calculados com base em uma margem de lucro estimada pela legislação. 

Já o Lucro Real considera o lucro efetivamente obtido pela empresa e costuma ser adotado por negócios maiores ou com características específicas.

A escolha do regime deve levar em conta fatores como faturamento previsto, tipo de atividade e planejamento financeiro do empreendimento.

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4. Faça o registro legal

Após definir a estrutura da empresa, o próximo passo é realizar o registro oficial do negócio. Esse processo começa com a verificação da disponibilidade do nome escolhido e da viabilidade da atividade no local onde a empresa pretende operar.

Em seguida, é necessário preencher o Documento Básico de Entrada (DBE) no site da Receita Federal, etapa fundamental para solicitar o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ).

Com essas informações, o empreendedor realiza o registro na Junta Comercial do estado, que é o órgão responsável por validar juridicamente a abertura da empresa. 

Após a aprovação dos documentos, é emitido o Número de Identificação do Registro da Empresa (NIRE) e o CNPJ passa a existir oficialmente.

5. Solicite licenças e alvarás

Dependendo da atividade exercida pela empresa, podem ser exigidas autorizações específicas para que o negócio funcione de forma regular. Essas licenças variam conforme o tipo de atividade e as regras do município ou do estado.

Entre as mais comuns estão o alvará de funcionamento emitido pela prefeitura, além de possíveis autorizações do Corpo de Bombeiros, da Vigilância Sanitária ou de outros órgãos reguladores.

Também é importante verificar se o endereço escolhido permite o exercício da atividade empresarial. 

Em muitos casos, essa consulta pode ser feita por meio do portal REDESIM, que integra informações de diversos órgãos responsáveis pela abertura de empresas.

6. Formalização final

Depois de concluir as etapas de registro e licenciamento, ainda é necessário finalizar alguns procedimentos para que a empresa comece a operar plenamente.

Entre eles está a contratação do certificado digital, que permite assinar documentos eletrônicos e realizar procedimentos fiscais pela internet. 

Também é preciso configurar o sistema de emissão de notas fiscais eletrônicas e organizar um método de controle financeiro para acompanhar receitas e despesas.

Dependendo da atividade, pode ser necessário realizar inscrições municipais ou estaduais para recolhimento de impostos

Além disso, muitos empreendedores optam por registrar oficialmente a marca da empresa no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), o que ajuda a proteger a identidade do negócio no mercado.

Leia também: Como divulgar minha empresa sem gastar muito?

Quanto custa abrir empresa de pequeno porte?

O custo para abrir empresa de pequeno porte pode variar conforme o estado, o tipo de atividade e os serviços necessários durante a formalização. 

Em média, o investimento inicial costuma ficar entre R$ 1.500,00 e R$ 3.000,00, considerando taxas obrigatórias e apoio profissional.

Parte desse valor está relacionada às etapas burocráticas para registrar o negócio e obter autorização para funcionamento.

Entre os principais custos estão as taxas da Junta Comercial, que são valores cobrados pelo órgão responsável por registrar oficialmente a empresa no estado. 

Esse pagamento permite validar juridicamente o negócio e formalizar a criação do CNPJ. Normalmente, essas taxas variam entre R$ 150,00 e R$ 500,00, dependendo da região.

Também é comum ter despesas com o certificado digital (e-CNPJ), utilizado para assinar documentos eletrônicos e emitir notas fiscais, além do alvará de funcionamento, emitido pela prefeitura conforme o tipo de atividade.

Outro custo frequente é a contratação de um contador, que auxilia na abertura da empresa e na organização fiscal do negócio. 

Além disso, muitos empreendedores reservam um capital inicial, chamado de capital social, para iniciar as atividades.

Após a abertura, ainda existem custos mensais de manutenção, como honorários contábeis e pagamento de impostos.

Vale lembrar que os valores podem variar de acordo com o porte da empresa e o estado onde o negócio será registrado. 

No caso do Microempreendedor Individual (MEI), a abertura do CNPJ é gratuita. Já para Microempresa (ME) ou Empresa de Pequeno Porte (EPP), normalmente existem taxas da Junta Comercial e honorários contábeis envolvidos no processo.

Além das despesas de formalização, o empreendedor também deve considerar outros investimentos iniciais importantes, como capital de giro, aluguel ou estrutura física, compra de equipamentos e ações de marketing para divulgar a empresa. 

Esses fatores podem influenciar diretamente o orçamento necessário para começar o negócio.

Continue lendo: Como abrir um CNPJ grátis para o seu negócio: guia prático

Erros comuns ao abrir empresa de pequeno porte

Abrir um negócio é um passo importante, mas muitos empreendedores acabam cometendo erros que poderiam ser evitados com mais planejamento e organização. 

Esses equívocos podem prejudicar o crescimento da empresa e até comprometer a saúde financeira do negócio logo nos primeiros meses.

Por isso, antes de abrir uma empresa de pequeno porte, é fundamental conhecer os principais erros que costumam acontecer e se preparar para evitá-los. Entre os erros mais comuns estão:

  • Não fazer planejamento: iniciar um negócio sem estudar o mercado, entender o público-alvo ou analisar os concorrentes pode dificultar o crescimento da empresa. Um plano de negócios ajuda a visualizar riscos e oportunidades
  • Misturar dinheiro pessoal com o da empresa: usar a mesma conta para despesas pessoais e empresariais causa desorganização financeira e dificulta entender se o negócio realmente está dando lucro
  • Não controlar o fluxo de caixa: deixar de acompanhar entradas e saídas de dinheiro pode gerar problemas com pagamentos, fornecedores e impostos
  • Precificação incorreta: definir preços sem considerar todos os custos do produto ou serviço pode reduzir a margem de lucro e prejudicar a sustentabilidade do negócio
  • Ignorar impostos e obrigações fiscais: escolher o regime tributário errado ou não acompanhar os tributos pode gerar multas e problemas com a Receita Federal
  • Negligenciar o marketing: não investir em divulgação faz com que muitas empresas tenham dificuldade para atrair clientes, principalmente no início
  • Abrir empresa apenas por impulso: iniciar um negócio sem preparo, apenas por entusiasmo ou necessidade imediata, pode levar a decisões pouco estratégicas
  • Não investir em capacitação: mesmo que o empreendedor conheça bem o produto ou serviço que oferece, é importante continuar aprendendo sobre gestão, mercado e tendências do setor. Buscar cursos, conteúdos especializados e eventos da área ajuda a manter o negócio competitivo
  • Deixar o financeiro desorganizado: a gestão financeira é um dos pilares de qualquer empresa. Sem controle adequado das receitas e despesas, fica difícil planejar investimentos ou identificar problemas.
  • Não separar o pró-labore das despesas da empresa: muitos empreendedores acabam retirando dinheiro do caixa da empresa sem planejamento. O ideal é definir um valor fixo de retirada (pró-labore) e manter as contas pessoais separadas 

Evitar esses erros aumenta muito as chances de sucesso do empreendimento. Empreender exige estratégia, estudo e controle financeiro para que o negócio tenha bases sólidas.

Com planejamento, organização financeira e estudo constante sobre gestão, o empreendedor consegue tomar decisões mais seguras e construir um negócio sustentável ao longo do tempo.

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FAQ

Perguntas frequentes

Quem pode abrir o EPP?

Qualquer pessoa maior de 18 anos ou legalmente emancipada pode abrir uma empresa de pequeno porte, desde que cumpra as exigências legais e de faturamento estabelecidas pela legislação.

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O que acontece se eu abrir um CNPJ sendo CLT?

Trabalhadores com carteira assinada podem abrir um CNPJ normalmente. No entanto, é importante verificar se o contrato de trabalho permite atividade empresarial paralela.

Ainda tem dúvidas?

É possível ter 2 CNPJ no mesmo CPF?

Sim. Uma pessoa pode participar de mais de uma empresa ou possuir mais de um CNPJ, desde que respeite as regras legais de cada tipo de empresa.

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Qual o valor do CNPJ por mês?

Não existe um valor fixo para manter um CNPJ. Os custos mensais dependem do regime tributário, do faturamento da empresa e dos serviços contábeis utilizados.

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Aline Magalhães Aline Magalhães

Aline Magalhães é graduada em Psicologia e Gestão de Recursos Humanos. Atua na meutudo desde 2024, onde começou no mercado financeiro como Agente de Operações nos produtos de Empréstimo Consignado CLT, Saque-Aniversário, Empréstimo Consignado INSS e cartões. Hoje, está na área de marketing no time de conteúdo, escrevendo artigos sobre educação financeira, benefícios e trabalhistas. Adora ouvir música, ler e assistir séries. É apaixonada por boas narrativas e acredita no poder transformador das histórias.

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