Crédito rotativo pressiona orçamento e afeta 78 milhões de brasileiros
A inadimplência no Brasil bateu recorde em meio ao avanço dos juros do crédito rotativo, que chegaram a 450% ao ano, segundo dados do Banco Central.
A combinação da alta da Selic, atualmente em 15% ao ano, com o uso excessivo do cartão de crédito, está comprometendo o orçamento de milhões de brasileiros, o que resulta em um cenário de superendividamento.
A seguir, entenda como o crédito rotativo contribuiu para aumentar o endividamento, quais os fatores que levaram a esse aumento e quais são os perfis mais afetados.
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O que você vai ler neste artigo:
Resumo da notícia
- Aqui estão as informações mais relevantes sobre o crédito rotativo e sua influência no orçamento brasileiro:
- O crédito rotativo bateu um recorde de inadimplência, afetando cerca de 78 milhões de brasileiros, devido a juros extremamente altos, chegando a 450% ao ano;
- A combinação da alta da Selic (15% ao ano) com o uso excessivo do cartão de crédito está comprometendo o orçamento de milhões de brasileiros, resultando em um cenário de superendividamento;
- O crédito rotativo é acionado quando o consumidor não quita o valor total da fatura do cartão de crédito até a data de vencimento, resultando em um financiamento com juros extremamente altos;
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Por que o crédito rotativo é tão perigoso?
O crédito rotativo é acionado quando o consumidor não quita o valor total da fatura do cartão de crédito até a data de vencimento.
Nesse caso, o saldo restante entra automaticamente em um financiamento com juros extremamente altos, atualmente na casa dos 450% ao ano.
Segundo a economista Juliana Inhasz, esse tipo de dívida rapidamente se transforma em um problema grave para o orçamento familiar.
Muitas pessoas utilizam o cartão como ferramenta de parcelamento de compras, mas quando a renda não cobre o valor total das parcelas, são forçadas a buscar alternativas ainda mais onerosas.
Isso cria um efeito dominó: uma dívida cara é substituída por outra ainda mais difícil de pagar, o que alimenta o ciclo do superendividamento.
Ao optar pelo pagamento mínimo, o consumidor compromete parcelas futuras da renda e acumula encargos que crescem mês a mês.
A falta de planejamento e de controle financeiro torna o rotativo uma das principais armadilhas do crédito pessoal no Brasil.
Leia também: Como sair das dívidas sem dinheiro?
Qual a inadimplência do Brasil hoje?
Hoje, quase 80 milhões de brasileiros enfrentam algum tipo de dívida em atraso, somando um passivo que chega perto de R$ 500 bilhões.
Esse cenário é agravado pelas taxas de juros extremamente elevadas: o rotativo do cartão atingiu 450% ao ano ao mesmo tempo em que a Selic permanece em 15%, o nível mais alto em quase duas décadas.
Embora a alta dos juros seja um instrumento utilizado para segurar a inflação, ela também torna o crédito muito mais caro.
Para quem não consegue pagar a fatura integral do cartão, o saldo remanescente cresce rapidamente, ampliado pelos juros compostos. Isso cria um terreno fértil para a inadimplência, afetando consumidores de diferentes perfis.
Continue lendo: O que é grau de endividamento e por que é importante saber
Quem são os brasileiros mais endividados?
O avanço da inadimplência no país é resultado direto do encarecimento do crédito, especialmente do cartão de crédito no rotativo. Os dados da Serasa mostram como essa realidade se distribui pelas faixas etárias:
- 41 a 60 anos: 35,3% dos inadimplentes
- 26 a 40 anos: 34%
- Acima de 60 anos: 19,2%
- 18 a 25 anos: 11,5%
O retrato revela que a maioria dos endividados está em idade economicamente ativa, justamente quando as despesas familiares tendem a ser maiores.
A combinação de juros altos, crédito fácil e renda insuficiente explica boa parte dessa expansão da inadimplência no país.
Saiba mais: Parcelar fatura diminui score? O que acontece e como funciona?
Como evitar cair na armadilha do crédito rotativo?
Evitar o uso do crédito rotativo ajuda a manter a saúde financeira em dia. A principal orientação de especialistas é evitar pagar o valor mínimo da fatura do cartão.
Com planejamento e controle, é possível escapar dos juros abusivos e manter o orçamento equilibrado. Confira abaixo algumas orientações práticas para não cair nessa armadilha:
- Pague sempre o valor integral da fatura: evite o pagamento mínimo, pois ele aciona automaticamente o crédito rotativo, com juros altíssimos
- Acompanhe os gastos com frequência: use o aplicativo do banco ou da operadora do cartão para checar os lançamentos diariamente ou semanalmente e evitar surpresas no fechamento
- Estabeleça um limite pessoal de gastos: defina um valor máximo de uso do cartão com base na sua renda, sem seguir o limite oferecido pela instituição financeira
- Monte um planejamento financeiro mensal: liste suas despesas fixas e variáveis, organize as contas e respeite o orçamento definido
- Evite parcelar compras sempre que possível: parcelamentos comprometem a renda futura e dificultam o controle financeiro, especialmente em caso de imprevistos
- Tenha uma reserva de emergência: ter um fundo para situações inesperadas evita recorrer ao crédito com juros altos em momentos de aperto
- Foque nos gastos essenciais: em tempos de orçamento apertado, corte despesas supérfluas e priorize aquilo que é realmente necessário
Adotar essas práticas ajuda a manter o equilíbrio das finanças pessoais e evita o risco de cair no ciclo do superendividamento.
O cenário de inadimplência atual reflete os impactos diretos dos juros elevados e do uso descontrolado do crédito rotativo.
Com quase 80 milhões de pessoas negativadas, o país enfrenta um desafio urgente de educação financeira e acesso a crédito mais justo.
Evitar o uso do rotativo e compreender os custos das dívidas são passos fundamentais para retomar o equilíbrio financeiro.
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Perguntas frequentes
O que é o crédito rotativo do cartão?
É quando o consumidor paga menos que o valor total da fatura e o saldo restante entra em financiamento com juros altos.
Qual é a taxa de juros do crédito rotativo hoje?
A taxa está em torno de 450% ao ano, segundo o Banco Central, uma das mais altas do país.
Quantos brasileiros estão inadimplentes atualmente?
Mais de 78 milhões de pessoas estão com o nome negativado, segundo dados da Serasa.
Como evitar o superendividamento?
Evite o pagamento mínimo da fatura, controle os gastos com cartão e priorize dívidas com juros menores.