Crescimento da pejotização põe Previdência em risco, alerta secretário
O avanço da pejotização, prática em que empresas contratam profissionais como pessoa jurídica (PJ) em vez de carteira assinada, acionou um alerta no Ministério da Previdência Social.
Segundo o secretário-executivo Adroaldo da Cunha, se apenas 10% dos trabalhadores CLT migrarem para o modelo PJ, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) pode perder R$ 47 bilhões por ano.
A declaração foi dada durante audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF). A seguir, saiba por que o tema preocupa e quais os riscos para o futuro da Previdência.
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Resumo da notícia
- Aqui estão as 5 informações mais relevantes sobre a notícia:
- A pejotização, prática em que empresas contratam profissionais como pessoa jurídica (PJ) em vez de carteira assinada, está crescendo e pode colocar o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em risco.
- Segundo o secretário-executivo Adroaldo da Cunha, se apenas 10% dos trabalhadores CLT migrarem para o modelo PJ, o INSS pode perder R$ 47 bilhões por ano.
- A pejotização reduz as contribuições previdenciárias, essenciais para financiar aposentadorias e benefícios sociais, e pode levar a uma queda de arrecadação de 73% das receitas da Previdência Social.
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O que é a pejotização e por que afeta o INSS
A pejotização ocorre quando empresas contratam profissionais como prestadores de serviço com CNPJ, e não como empregados formais.
Embora traga menos encargos para o empregador, o modelo reduz as contribuições previdenciárias, que são essenciais para financiar aposentadorias e benefícios sociais.
Segundo o Ministério da Previdência, 73% das receitas da Previdência Social vêm da folha de pagamento dos trabalhadores CLT.
Com o crescimento das contratações PJ, essa base de arrecadação cai, colocando o sistema em risco.
Durante a audiência no STF, Adroaldo da Cunha afirmou que o aumento das contratações PJ “é muito mais do que uma reforma da Previdência — é o fim do modelo atual de proteção social do Brasil”.
Ele explicou que, se o número de trabalhadores formais continuar caindo, o governo terá apenas dois caminhos: aumentar gastos públicos ou aprovar novas reformas com cortes de benefícios.
“A pejotização tira o empregador do processo de financiamento da Previdência. Sobram apenas o Estado e o trabalhador”, alertou o secretário.
Confira: Calculadora PJ x CLT
Audiência pública debate nova arquitetura previdenciária
Convocada pelo ministro Gilmar Mendes, a audiência reuniu 78 representantes do governo, sindicatos, setor empresarial e especialistas.
O objetivo foi discutir soluções para evitar a queda de arrecadação e o enfraquecimento da rede de proteção social.
Entre as propostas, especialistas sugeriram novos modelos de contribuição e tributação progressiva para pessoas jurídicas uniprofissionais — aquelas criadas apenas para prestação de serviços individuais.
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Especialistas pedem novo modelo de financiamento
O economista Felipe Salto, ex-secretário da Fazenda de São Paulo, afirmou que a pejotização é “um caminho sem volta”, mas que o país precisa repensar a forma de financiar políticas públicas.
Uma das alternativas, segundo ele, seria consolidar os regimes do MEI, Simples e CLT, criando um modelo mais equilibrado e sustentável.
“As novas relações de trabalho e a tecnologia são irreversíveis, mas o Estado precisa se adaptar para manter o pacto social”, afirmou.
Saiba também: Como funciona INSS para PJ, tipos de contribuições e regras
O impacto de 10% de migração para PJ
Segundo dados do Ministério da Previdência Social, se 10% dos trabalhadores formais passarem a atuar como pessoa jurídica, a arrecadação cairia R$ 47 bilhões por ano.
Esse valor equivale a quase 10% de todo o orçamento anual do INSS, comprometendo o pagamento de aposentadorias e auxílios.
Além disso, a pejotização aumenta o número de pessoas sem acesso a direitos trabalhistas, como 13º salário, férias remuneradas e FGTS.
Enquanto o cenário não se redefine, é importante que trabalhadores e aposentados planejem o futuro com consciência financeira.
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Perguntas frequentes
O que é pejotização?
Pejotização é a prática ilegal de contratar um trabalhador como PJ para evitar as obrigações da CLT, embora ele cumpra atividades típicas de um funcionário CLT.
Por que a pejotização ameaça a Previdência?
O modelo de pejotização diminui a arrecadação de contribuições ao INSS, base principal do financiamento da seguridade social, por isso, esse tipo de contratação afeta diretamente a Previdência Social.
Quanto o INSS pode perder com a pejotização?
O Ministério da Previdência Social calcula perda anual de R$ 47 bilhões se 10% dos trabalhadores CLT migrarem para o modelo PJ.
Quando o STF deve decidir o tema da pejotização?
O STF deve tomar uma decisão após a audiência pública marcada para 6 de outubro, mas ainda sem data exata para julgamento.
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