Qual o salário e direitos da babá que dorme no emprego?

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Contratar uma babá que dorme no emprego pode ser a solução para famílias que precisam de assistência contínua com seus filhos. 

No entanto, essa relação de trabalho levanta muitas dúvidas sobre salários, jornada e direitos previstos em lei. 

Afinal, quais são as obrigações do empregador? E quais garantias a babá residente possui? Vamos detalhar tudo para evitar surpresas e manter um vínculo justo e legal.

Confira tudo sobre remuneração de babá que dorme no emprego, folgas, adicionais e até dicas para firmar um contrato claro e transparente.

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O que é uma babá que dorme no emprego?

A babá que dorme no emprego, também conhecida como babá interna ou residente, é uma profissional que além de cuidar das crianças, permanece na casa da família durante os dias de trabalho. 

Essa modalidade é procurada por famílias que precisam de apoio integral, especialmente quando há crianças pequenas ou pais com rotinas profissionais mais intensas.

Diferente da babá externa, que vai embora ao final do expediente, a babá residente fica responsável pelo cuidado contínuo enquanto estiver no local, respeitando, claro, os limites legais de jornada e períodos de descanso.

As principais atribuições de uma babá interna incluem:

  • Supervisão constante das crianças: garantindo segurança e bem-estar durante o dia e, em alguns casos, à noite
  • Cuidados com alimentação e higiene: como preparar refeições, trocar fraldas e dar banho
  • Acompanhamento de atividades diárias: incluindo tarefas escolares, brincadeiras educativas e idas a consultas médicas ou passeios quando solicitado
  • Organização de pertences infantis: como roupas, brinquedos e materiais escolares

Confira: Como funciona a aposentadoria de empregada doméstica?

O que a lei diz sobre a babá que dorme no emprego?

A contratação de uma babá que dorme no emprego é regida pela Lei Complementar 150/2015, conhecida como Lei das Domésticas, que garante uma série de direitos trabalhistas para profissionais que residem no local de trabalho.

Mesmo morando na casa da família, a babá residente não está à disposição 24 horas por dia.

É fundamental respeitar a jornada legal e garantir períodos adequados de descanso. Confira os principais pontos:

  • Jornada de trabalho: até 44 horas semanais, distribuídas em no máximo 8 horas diárias
  • Horas extras: permitidas até 2 horas por dia, com pagamento adicional de 50%
  • Repouso noturno: intervalo mínimo de 11 horas consecutivas entre uma jornada e outra
  • Adicional noturno: trabalho entre 22h e 5h deve ser remunerado com acréscimo de 20%
  • Controle de jornada: é obrigatório manter um registro das horas trabalhadas, mesmo para babás internas

Além disso, o tempo em que a babá dorme não é considerado hora trabalhada pela Lei Complementar 150/2015, desde que ela não seja chamada durante esse período.

Caso seja acordada para atender alguma demanda da criança, as horas passam a contar como jornada de trabalho e devem ser registradas. 

Isso significa que ter uma babá residente exige planejamento para conciliar as necessidades da família com os direitos da profissional, evitando problemas legais futuros.

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Qual deve ser o salário de uma babá que dorme no emprego?

O salário de uma babá residente pode variar conforme a região, experiência da profissional e as funções desempenhadas.

Por ser uma trabalhadora doméstica, o valor nunca pode ser inferior ao salário mínimo vigente nem ao piso regional, quando aplicável.

Portanto, é importante levar em consideração os seguintes valores na hora de saber quanto se deve pagar para a babá na sua cidade:

  • Piso salarial: no ano de 2026, o salário mínimo é de R$ 1.621,00 para jornadas de até 44 horas semanais, assim nenhuma babá pode receber menos que isso
  • Piso regionais: no ano de 2026 em São Paulo o salário tem valor de R$ 1.874,36, no Rio Grande do Sul é de R$ 1.884,75, em Santa Catarina está em R$ 1.842,00 e Paraná no o piso é de R$ 2.181,63
  • Média de mercado: a faixa média de mercado é de R$ 1.800,00 a R$ 2.500,00 para quem recebe salário mensal e pode passar de R$ 3.000,00 para profissionais com cursos técnicos, como curso de enfermagem ou bilíngues
  • Valor por hora: o valor médio por hora para contratos eventuais é de R$ 25,50

Além do salário-base, o empregador deve considerar as horas extras, que devem ser pagas com acréscimo de 50% sobre a hora normal e o adicional noturno quando houver trabalho entre 22h e 5h.

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Babá que dorme no emprego tem direito a folgas?

Sim, a babá que dorme no emprego tem direito a folgas e descansos garantidos por lei, assim como qualquer outro trabalhador registrado. 

Mesmo residindo na casa da família, a legislação prevê que ela não pode estar disponível 24 horas por dia.

De acordo com a Lei Complementar 150/2015:

  • Descanso semanal remunerado: é obrigatório conceder pelo menos 24 horas consecutivas de folga por semana, preferencialmente aos domingos
  • Feriados: se a babá trabalhar em feriados, deve receber o dia em dobro ou ter o descanso compensado em outra data
  • Férias: após 12 meses de trabalho, a profissional tem direito a 30 dias de férias remuneradas, acrescidas de 1/3 do salário

Garantir esses períodos de descanso não é somente uma obrigação legal, mas também essencial para a saúde física e emocional da profissional. 

Assim, empregador e babá devem combinar os horários e dias de folga no contrato para evitar conflitos.

Saiba mais: Empregadas domésticas têm direito ao saque do FGTS?

A babá pode ser acordada à noite? Isso gera hora extra?

Depende. A Lei Complementar 150/2015 afirma que o tempo em que dorme não conta como hora trabalhada se a babá não for acordada.

No entanto, se for acordada, conta as horas e entram na jornada normalmente, devem ser registradas e pagas, como:

  • Hora extra: o empregador deve pagar acréscimo de 50% sobre o valor da hora normal
  • Adicional noturno: se o chamado ocorrer entre 22h e 5h, incide ainda um acréscimo de 20% sobre a hora trabalhada
  • Banco de horas: pode ser contado como horas compensadas em banco de horas, conforme o combinado em contrato de trabalho

Por isso, se existe a possibilidade da babá ser acordada para cuidar da criança durante o período de descanso, é recomendado:

  • Manter um controle de jornada (mesmo para residentes)
  • Estipular no contrato as exceções e como será feita a compensação

Ao registrar todas as exceções, o empregador se previne para ter ajuda da babá em imprevistos e assegura que os direitos da profissional sejam respeitados.

Entenda: Como funciona o Consignado privado para empregado doméstico?

Como definir um contrato justo para babá que dorme no emprego?

Firmar um contrato claro é fundamental para garantir uma relação de trabalho justa entre a família empregadora e a trabalhadora que dorme no emprego.

Esse documento protege ambas as partes, deixando explícitos os direitos e deveres, além de evitar mal-entendidos sobre jornada, folgas e responsabilidades.

Para evitar conflitos, um contrato escrito é essencial e deve incluir:

  1. Horário fixo de entrada e saída: definir o horário exato que inicia e termina a jornada de trabalho para evitar abusos e ajuda a ter a contagem correta de horas extras
  2. Definição clara de folgas e férias: ter os dias de descanso registrado ajuda no bem-estar da profissional e previne de dívidas por não cumprir a legislação trabalhista
  3. Políticas para uso de acomodações, alimentação e despesas: estabelecer previamente sobre o uso e despesas ajuda a evitar prejuízos financeiros e problemas com encargos trabalhistas
  4. Registro na carteira de trabalho com salário acordado: é importante para formalizar a existência de vínculo empregatício 
  5. Cláusula sobre horas extras e adicional noturno: garante a segurança jurídica e assegura a transparência nos pagamentos
  6. Acúmulo de função: quando a babá também cozinha para a família ou realiza limpeza pesada da casa, isso é caracterizado como acúmulo de função, e o valor extra deve ser negociado e registrado em contrato para evitar disputas trabalhistas

Empregadores devem também recolher FGTS e INSS conforme a legislação vigente.

Um contrato bem feito protege o empregador e a babá, evita que a família leve uma ação trabalhista e garante que a profissional receba tudo que tem direito.

Com planejamento e um contrato bem estruturado, é possível atender às necessidades da família e respeitar os direitos da profissional.

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FAQ

Perguntas frequentes

A babá que dorme no emprego pode ser acordada à noite?

O tempo em que a babá dorme não conta como jornada trabalhada, desde que ela não seja chamada. Caso seja acordada para cuidar da criança, as horas devem ser pagas com acréscimo de 50% ou compensadas via banco de horas. Se o chamado ocorrer entre 22h e 5h, aplica-se também o adicional noturno de 20%.

Ainda tem dúvidas?

Qual a carga horária permitida por lei para babá residente?

Até 44 horas semanais, respeitando 8h diárias e descanso noturno.

Ainda tem dúvidas?

É obrigatório pagar adicional noturno para babá?

Sim. A Lei Complementar 150/2015 diz que todo trabalho feito entre 22h e 5h deve ser remunerado com acréscimo de 20% sobre o valor da hora normal, incluindo chamados noturnos em que a babá é acordada durante o descanso. O empregador deve registrar essas horas para evitar passivo trabalhista.

Ainda tem dúvidas?

Pode descontar moradia do salário da babá?

Não. A moradia é fornecida pelo empregador e não pode ser descontada.

Ainda tem dúvidas?

Como registrar babá que dorme no emprego na carteira?

O registro é feito pelo eSocial Doméstico, no portal esocial.gov.br. O empregador precisa informar a jornada diária, o salário acordado e se a babá é residente. A partir desse registro, se torna obrigatório o recolhimento mensal de FGTS (8%) e a contribuição previdenciária ao INSS.

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Babá que dorme no emprego acumula função se fizer serviço doméstico?

Se além de cuidar das crianças, a babá também cozinha para a família ou realiza a limpeza da casa, isso é acúmulo de função. Essa função extra precisa ser negociada antes da contratação e registrado em contrato com valor definido. Sem isso, o empregador fica exposto a reclamação trabalhista.
Ainda tem dúvidas?

Qual a diferença entre babá interna e externa?

A babá interna dorme na casa da família, tem jornada contínua e direito a repouso noturno mínimo de 11 horas seguidas garantida por lei. Já a babá externa cumpre horário fixo e vai embora no fim do turno. Porém, ambas são regidas pela Lei Complementar 150/2015 e têm os mesmos direitos trabalhistas.
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