Marcação a mercado: o que é e como impacta seus investimentos

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A marcação a mercado se tornou uma prática essencial no Brasil desde 2002, quando a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) tornou obrigatória essa metodologia para fundos de investimento.

Desde então, ela passou a influenciar diretamente o valor dos ativos, especialmente os de renda fixa. Ela ajuda a refletir com mais precisão o valor real de cada título no mercado, permitindo uma visão mais clara do desempenho da carteira.

Embora o nome pareça técnico, esse conceito está presente no dia a dia dos seus investimentos. Entender esse mecanismo ajuda você a tomar decisões mais seguras e evitar sustos ao acompanhar seu extrato.

A seguir, será explicado de forma simples o que é, como funciona e quais impactos que a marcação a mercado pode ter nos seus ativos

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O que é marcação a mercado?

Marcação a mercado é o processo de atualização diária do valor de um ativo com base no preço praticado no mercado. 

Sendo que um ativo é qualquer investimento ou bem que possui valor financeiro, como um título de renda fixa, ações, fundos ou imóveis.

Em vez de considerar apenas o valor final do vencimento, o ativo é avaliado conforme a realidade atual de negociação.

Essa marcação funciona como uma fotografia do valor real daquele título no momento presente, mesmo que ele ainda não tenha vencido ou sido vendido.

Por exemplo: se ontem um título valia R$ 1.000 e hoje ele está sendo negociado por R$ 980, esse será o valor mostrado no seu extrato.

É como se todos os dias o sistema calculasse quanto o mercado pagaria pelo seu investimento naquele instante.

Isso significa que, mesmo que você ainda não tenha vendido um título, seu valor já pode ter subido ou caído de acordo com fatores como a taxa de juros, liquidez ou expectativas do mercado. 

O principal objetivo da marcação de mercado é refletir com mais precisão quanto aquele papel realmente vale hoje.

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Como funciona a marcação a mercado?

A marcação a mercado ajusta o preço do ativo diariamente com base em negociações recentes e nas condições econômicas atuais.

Esse valor “marcado” aparece no seu extrato, impactando diretamente o saldo da sua carteira de investimentos. Mesmo que o investidor não venda nada, ele pode ver variações positivas ou negativas no patrimônio. 

Ela é usada principalmente em investimentos de renda fixa e títulos públicos ou privados. Abaixo você entenderá como ele funciona nestes dois tipos de investimentos.

Renda fixa e marcação a mercado

Na renda fixa, os títulos costumam ter uma rentabilidade pré ou pós-fixada. Mas, antes do vencimento, o valor desses títulos pode mudar conforme o mercado. 

Isso acontece porque outros investidores podem estar negociando papéis semelhantes com taxas diferentes.

Se a taxa de juros sobe, o preço dos títulos cai. Se a taxa cair, o valor dos papéis tende a subir. Essa dinâmica é exatamente o que caracteriza a marcação a mercado.

Confira: Quanto rende o Tesouro Direto ao mês​?

Títulos públicos e privados

No caso dos títulos públicos, como o Tesouro Direto, e também os privados, como CDBs e debêntures, o mesmo princípio se aplica. 

A marcação considera o valor que o mercado está disposto a pagar hoje por aquele título, mesmo que ele tenha um valor de face definido para o vencimento.

Isso significa que, se o investidor quiser vender antes do prazo, o valor pode ser diferente do esperado. Por isso, entender a marcação é essencial para avaliar o momento ideal de sair do investimento.

Ao comparar renda fixa com títulos públicos e privados, o mecanismo da marcação a mercado funciona da mesma forma: ambos sofrem atualizações diárias de valor.

No entanto, os títulos públicos, como os do Tesouro Direto, têm maior liquidez e transparência, sendo mais fáceis de acompanhar.

Já os títulos privados podem apresentar variações menos previsíveis, pois dependem da reputação do emissor e da demanda no mercado secundário.

Por isso, o impacto da marcação pode ser mais intenso ou mais difícil de antecipar em papéis privados.

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Quais fatores influenciam a marcação a mercado?

A marcação a mercado é determinada por uma série de fatores que influenciam diretamente o preço de um título no mercado secundário. No caso da renda fixa e dos fundos de investimento, esses são os principais:

  • Oferta e procura: Quando há muitos investidores querendo comprar um título, seu valor tende a subir. Se muitos querem vender, o valor pode cair
  • Liquidez: Quanto mais fácil é comprar e vender o título, mais estável será sua precificação. A falta de liquidez pode causar defasagens nos valores
  • Expectativas sobre a Selic: A possibilidade de alta ou queda da taxa básica de juros afeta diretamente os preços dos títulos, pois muda sua atratividade no mercado
  • Variação da taxa do CDI e inflação: Mudanças na taxa do CDI ou uma alta na inflação podem fazer o Banco Central alterar os juros, impactando os títulos, principalmente os atrelados ao IPCA
  • Comportamento do mercado: Reações de pânico ou euforia, conhecidas como “efeito manada”, também influenciam os preços, pois afetam o equilíbrio entre compradores e vendedores
  • Fatores políticos e externos: Notícias do cenário político ou mudanças no mercado internacional podem fazer investidores estrangeiros se movimentarem, impactando os preços aqui no Brasil.
  • Expectativas econômicas: Quanto mais confiança os investidores têm no futuro da economia, maior pode ser a demanda por títulos, elevando seu valor.
  • Benchmarks de mercado: Fundos ajustam o valor das cotas com base no valor de mercado dos ativos que possuem em carteira.

Esses fatores tornam essencial uma análise cuidadosa antes de resgatar um título de renda fixa antes do vencimento. Caso contrário, o valor recebido pode ser menor do que o esperado. Por isso, é importante saber a diferença entre dois conceitos:

  • Marcação a mercado: atualização diária do preço com base nas condições reais do mercado
  • Marcação na curva: projeção do valor do título até o vencimento com base na taxa contratada

Ao manter o investimento até o final, os dois valores tendem a se encontrar. Mas se o resgate for antecipado, prevalece o valor da marcação a mercado, o que pode resultar em lucro ou prejuízo dependendo do momento.

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Qual o impacto da marcação a mercado no Tesouro Direto?

No Tesouro Direto, a marcação a mercado é ainda mais visível. Quem investe em títulos como o Tesouro Prefixado ou Tesouro IPCA+ vê o valor oscilando diariamente.

Isso acontece porque esses papéis são mais sensíveis às mudanças nas taxas de juros. Já que a variação do valor desses papéis depende das expectativas futuras em relação ao indexador do título.

Quem vende antes do vencimento pode ter ganho ou prejuízo, dependendo do momento econômico. Já quem segura o título até o fim recebe exatamente o que foi prometido na contratação.

No caso dos pós-fixados, por exemplo, o rendimento é influenciado pela Selic ou pelo IPCA. Se o mercado espera que esses índices aumentem ou diminuam, o preço do título hoje será ajustado conforme essas projeções.

Se o mercado espera que esses índices aumentem ou diminuam no futuro, o preço dos títulos hoje se ajusta a essas expectativas. Isso é o que torna a marcação a mercado tão relevante para quem aplica no Tesouro Direto.

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Marcação a mercado pode gerar prejuízo?

A marcação a mercado pode gerar prejuízo, especialmente quando o investidor opta por vender o título antes do vencimento. 

Isso acontece porque o valor do título é ajustado diariamente conforme a oscilação das taxas de juros, a demanda de mercado e outros fatores econômicos. 

Caso no momento da venda, a taxa de juros estiver mais alta do que quando o título foi adquirido, seu valor no mercado será menor.

Além disso, movimentos de incerteza, como mudanças na política econômica ou crises externas, também podem fazer o preço do título cair. 

Em situações assim, o investidor que resgata antes do prazo pode receber menos do que investiu.

Por outro lado, se o investidor mantiver o papel até o vencimento, ele receberá exatamente o valor acordado no momento da compra, sem prejuízo. 

Por isso, é fundamental alinhar o prazo do investimento aos seus objetivos financeiros e estar ciente das variações de curto prazo.

Entender como funciona a marcação a mercado ajuda a evitar decisões precipitadas e prejuízos desnecessários. Com conhecimento e planejamento, é possível tirar proveito das oportunidades mesmo diante das oscilações do mercado.Quer receber mais notícias sobre o mundo financeiro gratuitamente em seu e-mail? Preencha o formulário e receba uma seleção de conteúdos!

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FAQ

Perguntas frequentes

Todo investimento sofre marcação a mercado?

Não. A marcação a mercado é comum em renda fixa e fundos, mas investimentos como poupança e imóveis não passam por essa atualização diária.

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Marcação a mercado pode gerar prejuízo mesmo sem vender?

Não. A oscilação só afeta o saldo visual. O prejuízo só acontece se o investidor vender o ativo em um momento de baixa.

Ainda tem dúvidas?

Qual a relação entre marcação a mercado e volatilidade?

Quanto maior a volatilidade do mercado, maior a variação nos preços dos ativos. Isso torna a marcação mais perceptível e, às vezes, intensa.

Ainda tem dúvidas?

Como acompanhar a marcação a mercado dos meus ativos?

Você pode acompanhar por meio do extrato da corretora, que mostra o valor atualizado diariamente, e também em plataformas de investimento.

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Aline Magalhães Aline Magalhães

Aline Magalhães é graduada em Psicologia e Gestão de Recursos Humanos. Atua na meutudo desde 2024, onde começou no mercado financeiro como Agente de Operações nos produtos de Empréstimo Consignado CLT, Saque-Aniversário, Empréstimo Consignado INSS e cartões. Hoje, está na área de marketing no time de conteúdo, escrevendo artigos sobre educação financeira, benefícios e trabalhistas. Adora ouvir música, ler e assistir séries. É apaixonada por boas narrativas e acredita no poder transformador das histórias.

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