Nova lei protege safristas de perder o Bolsa Família, veja o que muda
A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (19), o Projeto de Lei 715/2023, chamado de Lei dos Safristas, que prevê que trabalhadores temporários da safra não percam o benefício do Bolsa Família durante o período do contrato.
Pelo texto final aprovado, o dinheiro obtido pelo contrato de safra não entra na contagem da renda familiar per capita, critério usado para manter a elegibilidade para acesso ao programa.
O texto já havia sido aprovado pelo Senado e segue agora para sanção presidencial. Confira a seguir o que muda, quem é afetado e como a nova lei resolve um ciclo que desestimulava a formalização no campo.
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Resumo da notícia
- Aqui estão as informações mais relevantes da notícia:
- A Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 715/2023, chamado de Lei dos Safristas, que protege os trabalhadores temporários da safra de perder o Bolsa Família durante o período do contrato.
- O dinheiro obtido pelo contrato de safra não entra na contagem da renda familiar per capita, o critério usado para verificar se a família ainda tem direito ao Bolsa Família.
- Isso significa que o safrista pode trabalhar formalmente durante a colheita sem que a renda temporária provoque o cancelamento automático do benefício.
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O que é o contrato de safra e quem é o trabalhador safrista
O safrista é o trabalhador rural contratado de forma temporária. Ele atua em períodos específicos do calendário agrícola, regido pela Lei 5.889/73.
Contratos de safra duram conforme a atividade agrária. O período vai do preparo do solo até a colheita, variando segundo a cultura cultivada.
Estes trabalhadores colhem culturas como cana, café, soja, laranja, maçã e tomate. Eles sustentam a produção agropecuária do Brasil. O contrato se encerra ao fim da temporada de forma natural.
Segundo o projeto, a duração desses acordos depende das variações estacionais da atividade. A necessidade da cultura define o tempo do contrato, este trabalho é essencial para a segurança alimentar.
Apesar disso, é historicamente marcado pela informalidade no país. O próprio Congresso reconheceu que a informalidade tinha uma causa concreta. Isso motivou mudanças na legislação do setor.
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Por que safristas perdiam o Bolsa Família ao trabalhar
Uma família inscrita no Bolsa Família, em situação de vulnerabilidade crônica, recebia uma oferta de trabalho formal durante a colheita. O salário entrava, a renda familiar subia temporariamente e o sistema identificava que a família estava acima do limite do programa, o benefício era cancelado.
Quando a safra acabava, semanas ou poucos meses depois, a família ficava sem renda e sem o Bolsa Família. Para entrar no programa novamente, precisava passar por novo processo de inclusão, com atualização do CadÚnico e espera na fila.
O relator Evair de Melo critica as regras do Bolsa Família por não considerarem a variação de renda anual dos safristas em regiões agrícolas. Essa falha leva ao desligamento imediato, desestimulando a contratação desses trabalhadores.
O relato era que muitos trabalhadores optavam por não trabalhar nas colheitas por receio de saírem do Bolsa Família. O resultado era uma escolha impossível: formalizar o trabalho e arriscar perder o benefício, ou trabalhar na informalidade e manter a proteção social.
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O que o novo projeto de lei muda na prática para safristas e patrões
O dinheiro obtido pelo contrato de safra não entra na contagem da renda familiar per capita, que é o critério usado para verificar se a família ainda tem direito ao Bolsa Família.
Isso significa que o safrista pode trabalhar formalmente durante a colheita sem que a renda temporária provoque o cancelamento automático do benefício.
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Proteção ao trabalhador: renda sazonal não justifica exclusão automática
A renda do safrista é temporária e sazonal, não uma melhora permanente na situação financeira da família. Tratar esse ganho da mesma forma que um emprego fixo gerava uma injustiça que a nova lei corrige.
O autor da proposta, deputado Zé Vitor, disse que a aprovação vai aproximar e reaproximar muitas pessoas do mercado de trabalho, garantindo inclusão produtiva.
Com a mudança, o trabalhador rural pode assinar a carteira, contribuir para a Previdência Social e ter todos os direitos trabalhistas garantidos durante o contrato sem o medo de ficar desprotegido depois que a colheita acabar.
Proteção ao empregador: dispensa de dados no eSocial durante transição
O texto aprovado dispensa o empregador de informar ao eSocial dados referentes ao contrato de safra para manutenção dos benefícios sociais, enquanto não houver campo específico no sistema para esse tipo de vínculo.
Essa dispensa não é definitiva. É uma medida transitória que reconhece uma falha do próprio Estado: o eSocial, sistema obrigatório de registro de vínculos trabalhistas, ainda não tinha campo específico para o contrato de safra.
O relator afirmou que esse mecanismo confere eficácia imediata à alteração legislativa, sem depender de posterior regulamentação pelo Poder Executivo. Na prática, o empregador não será penalizado por uma limitação técnica do sistema enquanto ela não for corrigida.
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Como funciona a regra de retorno ao Bolsa Família em até 36 meses
O texto aprovado também garante que famílias que eventualmente saírem do programa por conta do trabalho sazonal possam retornar ao Bolsa Família em até 36 meses, desde que voltem a cumprir os critérios de elegibilidade.
Esse prazo é significativamente mais generoso do que o processo padrão de inclusão, que pode levar meses dependendo da fila de espera e das atualizações do CadÚnico.
O texto reconhece que a sazonalidade do trabalho rural cria um padrão diferente de renda, não uma melhora permanente, e que a política social precisa se adaptar a essa realidade.
O que é a regra de proteção do Bolsa Família e como ela se encaixa nessa nova lei
O Bolsa Família já tinha um mecanismo chamado regra de proteção, que permite que famílias cujos membros conseguiram emprego continuem recebendo 50% do benefício por até dois anos (ou um ano, para quem entrou no mecanismo a partir de junho de 2025), desde que a renda per capita não ultrapasse R$ 706,00 por mês.
A nova lei acrescenta uma camada específica para o safrista, cuja situação é ainda mais instável por natureza.
Enquanto a regra de proteção geral já existia para quem conseguia emprego formal em qualquer setor, a Lei dos Safristas vai além, ela impede que a renda temporária do contrato de safra seja usada como critério de exclusão, tratando esse ganho como o que ele realmente é, uma renda pontual e sazonal.
Por que a formalização do trabalho rural ainda é um desafio no Brasil
O Brasil tem milhões de trabalhadores rurais informais. A informalidade tem diversas raízes, incluindo sazonalidade, isolamento, falta de documentação e risco de perda de benefícios sociais.
O senador Jaime Bagattoli destacou que a lei resolverá a deficiência de mais de 800 mil empregos no campo, fortalecendo colheitas em várias regiões do Brasil.
A formalização beneficia o trabalhador com direitos e o empregador com segurança jurídica. A nova lei remove um desincentivo, mas a questão da informalidade rural é complexa e estrutural.
O que falta para a lei entrar em vigor
O projeto foi aprovado em votação simbólica pela Câmara dos Deputados nesta terça-feira, 19 de maio. O texto segue para sanção presidencial, porque já havia sido apreciado pelo Senado.
O presidente não tem um prazo constitucional fixo para sancionar leis, mas propostas urgentes e com apoio parlamentar geralmente são assinadas rápido. A lei entra em vigor imediatamente após a sanção, a menos que o texto estabeleça o contrário.
A aprovação ocorreu por votação simbólica, sem votos contrários registrados, o que indica amplo consenso entre os parlamentares sobre a necessidade da medida.
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