Proposta do governo sugere consignado privado sem teto de juros; entenda
A medida atende aos bancos, mas contraria o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, que defendia um modelo com taxas reguladas, como o do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A proposta prevê o uso da CTPS Digital para operacionalizar o crédito, permitindo que trabalhadores comparem taxas entre bancos.
Além disso, o uso do FGTS como garantia e mudanças no saque-aniversário seguem em discussão separadamente.
Confira como o novo projeto do governo quer expandir o consignado privado sem teto de juros e entenda o papel da CTPS Digital na contratação do crédito.
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O que você vai ler neste artigo:
Resumo da notícia
- Proposta do governo sugere consignado privado sem teto de juros, contrariando modelo com taxas reguladas defendido pelo ministro do Trabalho.
- Nova proposta prev uso da CTPS Digital para contratação do crédito, permitindo comparação de taxas entre bancos e uso do FGTS como garantia.
- Principais pontos da proposta incluem eliminação do teto de juros, facilidade na análise de risco e possibilidade de triplicar o saldo atual de crédito consignado no setor privado.
- Ausência de limite para os juros no consignado privado é um ponto polêmico, com bancos defendendo liberdade de taxas para expandir o crédito.
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Como funcionará o novo consignado privado?
Diferente do crédito consignado para aposentados do INSS e servidores públicos, o consignado privado ainda enfrenta desafios para se expandir. O governo pretende ampliar essa modalidade ao integrá-la à CTPS Digital.
Os principais pontos da proposta incluem:
- Comparação de taxas entre bancos diretamente no sistema
- Eliminação do teto de juros, permitindo que as taxas sejam definidas pelas instituições financeiras
- Facilidade na análise de risco, garantindo maior segurança para os bancos
Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a mudança pode triplicar o saldo atual de crédito consignado no setor privado, elevando-o de R$ 39,7 bilhões para R$ 120 bilhões.
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Por que o governo quer ampliar o consignado privado?
O crédito consignado tem taxas mais baixas porque as parcelas são descontadas diretamente da folha de pagamento, reduzindo o risco de inadimplência.
No setor público e no INSS, essa modalidade é amplamente utilizada, mas no setor privado sua adesão ainda é limitada.
Atualmente, a carteira de crédito consignado está distribuída da seguinte forma:
| Setor | Saldo em 2024 (R$ bilhões) | Taxa de juros ao ano (%) |
| Funcionalismo público | 365,4 | 23,8% |
| INSS | 270,8 | 21,9% |
| Setor privado | 39,7 | 40,8% |
Os bancos argumentam que a principal dificuldade do consignado privado está na pulverização do público-alvo, já que os trabalhadores estão distribuídos em diferentes empresas, com variados perfis de risco.
Além disso, o crédito depende de convênios bilaterais entre bancos e empregadores, dificultando a portabilidade em caso de demissão.
Com a centralização na CTPS Digital, o governo espera solucionar esses entraves e facilitar a oferta do crédito.
Fim do teto de juros: impacto para trabalhadores
Um dos pontos mais polêmicos da proposta é a ausência de um limite para os juros cobrados.
Enquanto o consignado do INSS tem um teto mensal, no setor privado os bancos defendem que a taxa seja livre, já que o risco de inadimplência varia conforme a empresa e o perfil do trabalhador.
O presidente do Bradesco, Marcelo Noronha, afirmou que um teto de juros poderia restringir a expansão do crédito:
“É um negócio que a gente avalia que tem um espaço relevante. Se puder ser ‘omnichannel’, contratar aqui, contratar lá.”
Para os bancos, além da ausência de limite para os juros, é essencial que o crédito possa ser contratado não apenas pelo CTPS Digital, mas também pelos canais tradicionais das instituições financeiras.
FGTS e Saque-Aniversário continuam em debate
A proposta do governo enviada ao Congresso não inclui mudanças no FGTS ou no Saque-Aniversário, que seguem sendo debatidos separadamente.
A tendência, no entanto, é que a modalidade Saque-Aniversário seja mantida, mas com uma limitação no número de anos em que o trabalhador poderá comprometer o saldo do Fundo.
O que esperar da tramitação no Congresso?
A proposta do consignado privado sem teto de juros será analisada pelo Congresso, onde pode sofrer modificações.
A discussão deve ser intensa, especialmente devido à preocupação com o impacto da falta de limite de juros para os trabalhadores.
Especialistas alertam que, sem um teto, há risco de que os bancos apliquem taxas elevadas, tornando a modalidade menos vantajosa do que outras opções de crédito.
Confira: Simulador Consignado privado
Enquanto isso, o governo mantém o foco na ampliação do acesso ao crédito como parte de sua estratégia para estimular o consumo e a economia.
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Perguntas frequentes
O que muda com a nova proposta sobre juros do consignado privado?
A proposta elimina o teto de juros, permitindo que bancos definam as taxas conforme o perfil do trabalhador. Isso pode ampliar a oferta de crédito, mas também aumentar os custos para quem possui maior risco de inadimplência.
Por que o governo quer liberar o teto de juros do consignado privado?
Os bancos alegam que um teto de juros limitaria a oferta do crédito, pois o risco de inadimplência no setor privado é maior e varia entre empresas. Sem um limite fixo, as taxas podem ser ajustadas conforme o perfil de cada trabalhador, incentivando mais concessões.
O FGTS poderá ser usado como garantia no consignado privado?
Ainda não. A proposta enviada ao Congresso não inclui o FGTS como garantia, mas o governo segue debatendo possíveis mudanças. Há a tendência de manter o Saque-Aniversário, mas com limitação no número de anos que o saldo do fundo pode ser comprometido.
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