Doenças no trabalho: principais causas e como preveni-las

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O ambiente de trabalho, embora essencial para o sustento e crescimento profissional, pode se tornar um campo minado para a saúde quando fatores como excesso de tarefas, más condições físicas e pressão psicológica são ignorados. 

Esse cenário dá origem às chamadas doenças no trabalho, que têm impactado milhares de brasileiros ano após ano.

O que começa com uma simples dor nas costas ou um leve cansaço mental pode evoluir para quadros graves, como depressão, lesões crônicas ou síndromes incapacitantes. 

Compreender a origem dessas doenças, seus sintomas e formas de prevenção é o primeiro passo para um ambiente corporativo mais saudável e produtivo. 

Neste artigo, vamos explicar os principais tipos de doenças relacionadas ao trabalho, o que as causa e como manter-se protegido. Confira!

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O que são doenças no trabalho?

As doenças no trabalho, ou doenças ocupacionais, são enfermidades desenvolvidas ou agravadas em decorrência das atividades desempenhadas no ambiente laboral.

Elas podem afetar o corpo (doenças físicas), a mente (doenças psicológicas) ou até ambos simultaneamente.

A legislação brasileira, por meio da Lei nº 8.213/91, equipara as doenças ocupacionais aos acidentes de trabalho, garantindo ao trabalhador direitos como estabilidade temporária e benefícios previdenciários.

Mas, mais do que garantir direitos, é essencial promover a prevenção e o diagnóstico precoce, evitando que o colaborador chegue a esse ponto.

Principais tipos de doenças no trabalho e suas causas

A seguir, detalhamos as doenças ocupacionais mais frequentes, suas características, fatores de risco e setores mais afetados:

1. LER/DORT (Lesões por Esforços Repetitivos/Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho)

Essas condições afetam tendões, músculos, nervos e articulações, principalmente em membros superiores (mãos, braços, ombros e pescoço). 

São causadas por atividades repetitivas, excesso de força, movimentos contínuos ou posturas inadequadas.

Exemplos mais comuns:

  • Tendinite (inflamação dos tendões)
  • Bursite (inflamação das bursas, que amortecem articulações)
  • Síndrome do túnel do carpo (compressão de nervo no punho)

Grupos de risco: Digitadores, caixas de supermercado, costureiras, operadores de telemarketing, trabalhadores da indústria.

Sinais de alerta: Dor localizada, formigamento, fraqueza muscular, limitação de movimento.

Prevenção: Pausas programadas, revezamento de funções, ergonomia adequada e programas de ginástica laboral.

2. Síndrome de Burnout

Reconhecida como fenômeno ocupacional pela OMS, o burnout é resultado de um esgotamento físico e emocional causado por longos períodos de estresse no trabalho. 

Essa condição é muito mais do que “cansaço”. Trata-se de uma crise de saúde mental com impactos profundos.

Sintomas principais:

  • Sensação constante de exaustão
  • Desmotivação e cinismo com o trabalho
  • Dificuldade de concentração
  • Alterações no sono, apetite e humor

Mais comum entre: Profissionais da saúde, professores, bancários, gestores, profissionais de tecnologia e comunicação.

Prevenção: Equilíbrio entre vida pessoal e profissional, cultura organizacional positiva, apoio psicológico, definição clara de metas e limites.

Saiba mais: Qualidade de vida no trabalho: o que é, importância e dicas

3. Doenças respiratórias ocupacionais

A exposição a agentes químicos, poeira, gases tóxicos, mofo ou ambientes com pouca ventilação, pode desencadear ou agravar doenças do trato respiratório.

Principais doenças:

  • Asma ocupacional
  • Rinite alérgica
  • Bronquite crônica
  • Doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC)
  • Pneumoconioses (ex: silicose, asbestose)

Ambientes de maior risco: Indústrias químicas, construção civil, mineração, marcenarias, hospitais, frigoríficos.

Prevenção: Uso de máscaras e EPIs, ventilação adequada, manutenção de filtros e exaustores, controle de substâncias tóxicas.

Leia também: Aposentadoria por doença: o que é, valor, requisitos e mais

4. Doenças osteomusculares e de coluna

A má postura, o carregamento excessivo de peso, o sedentarismo e o mobiliário inadequado estão entre as principais causas de dores nas costas e doenças na coluna.

Condições frequentes:

  • Hérnia de disco
  • Lombalgia crônica
  • Cervicalgia
  • Escoliose funcional

Atividades de risco: Motoristas, operadores de empilhadeira, trabalhadores de escritório, profissionais de logística e enfermagem.

Prevenção: Cadeiras e mesas ajustáveis, pausas para alongamentos, levantamento correto de peso e promoção de atividades físicas regulares.

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5. Doenças dermatológicas

Contato constante com produtos químicos, excesso de umidade, calor ou falta de proteção adequada da pele favorecem o surgimento de doenças dermatológicas no trabalho.

Principais enfermidades:

  • Dermatite de contato
  • Eczemas ocupacionais
  • Queimaduras químicas
  • Micose interdigital (pé de atleta)

Afetam com frequência: Profissionais de limpeza, construção civil, estética, saúde e indústrias químicas.

Prevenção: Uso de luvas apropriadas, higiene da pele, trocas regulares de uniforme e barreiras protetoras (cremes, EPI, uniformes impermeáveis).

Confira: Profissões mais perigosas do Brasil

6. Transtornos mentais relacionados ao trabalho

Além do burnout, outros transtornos psicológicos vêm crescendo dentro do ambiente corporativo. Depressão, ansiedade generalizada e fobias sociais podem ser potencializadas por ambientes tóxicos ou jornadas exaustivas.

Causas mais comuns:

  • Assédio moral ou sexual
  • Competição desleal
  • Pressão por metas abusivas
  • Isolamento ou falta de reconhecimento

Prevenção: Canais de escuta, ações de combate ao assédio, cultura de empatia, incentivo ao autocuidado e suporte psicológico.

Oportunidade: Consignado CLT

Quais são os fatores que contribuem para as doenças no trabalho?

As doenças ocupacionais não surgem do nada. Elas são, na maioria, resultado da repetição de práticas inadequadas, ambientes mal planejados e negligência com o bem-estar do trabalhador

Conhecer os fatores que contribuem para o surgimento dessas enfermidades é fundamental para agir antes que os sintomas apareçam.

Abaixo, listamos os principais fatores de risco que favorecem o aparecimento de doenças no trabalho:

  • Postura inadequada: permanecer longas horas em posições desconfortáveis ou incorretas pode provocar dores musculares, problemas na coluna e desgaste nas articulações. Isso é comum em ambientes onde não há preocupação com a ergonomia
  • Jornadas excessivas: a sobrecarga de trabalho, muitas vezes associada a metas inalcançáveis e horas extras constantes, leva ao estresse físico e mental, podendo culminar em quadros de exaustão, como a síndrome de burnout
  • Falta de pausas durante o expediente: a ausência de intervalos regulares para descanso ou alongamento compromete a recuperação muscular, agrava o cansaço e aumenta o risco de lesões por esforço repetitivo (LER/DORT)
  • Exposição a agentes nocivos: fumaças, poeiras, gases, produtos químicos e ruídos intensos são exemplos de agentes ambientais que, sem controle adequado, podem causar doenças respiratórias, dermatológicas e auditivas
  • Ambientes sem ergonomia: mobiliários inadequados, iluminação ruim e equipamentos mal posicionados dificultam o desempenho das tarefas e favorecem o surgimento de dores e desconfortos constantes
  • Pressão psicológica constante: climas organizacionais tóxicos, assédio moral, cobranças abusivas e competitividade exagerada são gatilhos diretos para transtornos mentais como ansiedade, depressão e pânico

Esses fatores, isolados ou combinados, criam um ambiente de risco para a saúde física e emocional dos profissionais. 

Por isso, é dever das empresas mapear esses pontos críticos e adotar medidas de correção e prevenção com base nas Normas Regulamentadoras (NRs), especialmente a NR-17, que trata da ergonomia no ambiente de trabalho.

Como prevenir as doenças no trabalho?

A prevenção das doenças ocupacionais exige comprometimento mútuo entre empresas e trabalhadores. A seguir, confira um guia prático:

  1. Mapeie os riscos ocupacionais: realize laudos como o PPRA (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais) e LTCAT (Laudo Técnico das Condições Ambientais do Trabalho)
  2. Implemente ergonomia no local: ajuste mesas, cadeiras, iluminação e equipamentos à realidade dos trabalhadores
  3. Promova pausas e rodízios: inclua intervalos curtos a cada 2 horas de trabalho e alterne atividades quando possível
  4. Capacite e informe os colaboradores: treinamentos regulares sobre saúde ocupacional, segurança e uso correto de EPIs
  5. Invista em saúde mental: programas de qualidade de vida, assistência psicológica e canais internos de acolhimento
  6. Ofereça exames médicos periódicos: acompanhamento de indicadores físicos e mentais por meio do PCMSO (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional)
  7. Implemente políticas de compliance e cultura organizacional saudável: regras claras, respeito mútuo e valorização do ser humano são indispensáveis.

As doenças no trabalho são silenciosas, mas extremamente impactantes. Elas não apenas afetam a saúde do colaborador, mas também comprometem o desempenho e a reputação da empresa.

Investir em prevenção, ergonomia, saúde mental e segurança no trabalho não é um luxo, é uma necessidade urgente em qualquer organização moderna.

O cuidado com o bem-estar dos trabalhadores deve ser contínuo, monitorado e adaptado à realidade de cada função. Somente com um ambiente de trabalho saudável é possível alcançar resultados sustentáveis.

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FAQ

Perguntas frequentes

Toda doença desenvolvida no trabalho é considerada ocupacional?

Nem sempre. Apenas aquelas que têm relação direta comprovada com a atividade exercida podem ser caracterizadas como doenças ocupacionais, conforme critérios do INSS e da legislação trabalhista.

Ainda tem dúvidas?

Qual a diferença entre LER e DORT? 

LER é um termo mais popular e genérico, enquanto DORT é a sigla técnica utilizada para designar os distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho, abrangendo mais tipos de lesões.

Ainda tem dúvidas?

Existe tratamento para a síndrome de burnout?

Sim. O tratamento envolve psicoterapia, mudanças no ambiente de trabalho, afastamento temporário em casos graves e, em alguns casos, uso de medicamentos prescritos por psiquiatras.

Ainda tem dúvidas?

O que as empresas devem fazer legalmente para evitar essas doenças?

Devem cumprir normas como a NR-17 (ergonomia), fornecer EPIs, realizar exames periódicos, promover treinamentos e ações de prevenção conforme o PCMSO e PPRA.

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Lisandra Pinheiro Lisandra Pinheiro

Lisandra Pinheiro é graduanda em Letras e faz parte da meutudo desde 2021. Começou na área de Customer Experience, e hoje, atua como redatora na equipe de Conteúdo. Se dedica especialmente a artigos previdenciários, trabalhistas e financeiros, ajudando as pessoas a se educarem sobre seus direitos e finanças. Nas horas vagas, adora apreciar um cafezinho e escrever poesia.

1988 artigos escritos