Nova MP prevê redução do IOF e tributos sobre fintechs, renda fixa e outros
O Governo Federal estuda mudanças na cobrança do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), após o reajuste das alíquotas aplicado em 22 de maio, que impactou as operações de crédito como empréstimos e financiamentos.
A revisão do decreto que mantém o tributo deve ser discutida nesta terça-feira (10), em reunião entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A proposta em análise é realizar uma recalibragem nas alíquotas do IOF, com o objetivo de amenizar os efeitos do aumento recente e, ao mesmo tempo, manter a arrecadação sem comprometer o acesso ao crédito.
A seguir, entenda o que pode mudar, como isso afeta seu bolso e quais alternativas o governo está analisando para manter o equilíbrio fiscal.
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O que você vai ler neste artigo:
Resumo da notícia
- Governo estuda reduzir o IOF e tributos sobre fintechs, renda fixa e outros após reajuste das alíquotas em maio.
- Possíveis mudanças no IOF podem impactar acesso ao crédito, arrecadação federal e consumidores que dependem de empréstimos.
- Medidas em análise incluem extinção do IOF sobre risco sacado, nova alíquota para FIDCs e redução do IOF sobre crédito para empresas.
- Além das mudanças no IOF, governo avalia medidas provisórias para unificar alíquota do IR para investimentos e tributação de aplicações financeiras como LCA e LCI.
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O que está em jogo com a possível mudança no IOF?
A possível alteração nas alíquotas do IOF representa um ponto sensível para o governo, já que o imposto incide diretamente sobre operações de crédito e tem forte peso na arrecadação federal.
Qualquer ajuste impacta não apenas o caixa da União, mas também o bolso dos consumidores, especialmente os que dependem de empréstimos e financiamentos.
Além disso, a medida pode influenciar a política de acesso ao crédito no país, afetando empresas, bancos e milhões de trabalhadores.
Por isso, a decisão exige equilíbrio entre responsabilidade fiscal e estímulo à economia.
Leia também: Como funciona o IOF no cartão de crédito
Medidas em estudo para compensar a arrecadação com o IOF
O governo estuda mudanças pontuais no IOF para manter a arrecadação. Confira as principais medidas em análise:
- Extinção do IOF sobre risco sacado: modalidade comum no varejo, o risco sacado deixaria de ter a alíquota fixa de 0,95%
- Nova alíquota para Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs): passaria a ser de 0,38% na aquisição primária de cotas. A medida não atinge negociações no mercado secundário
- IOF sobre operações de câmbio: redução da alíquota de 3,5% para zero no caso de retorno de investimento estrangeiro direto
- Mudança na tributação sobre VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre): o limite de incidência do IOF subiria de R$ 50 mil por mês para R$ 600 mil por ano
- Redução do IOF sobre crédito para empresas: a alíquota fixa cairia de 0,95% para 0,38%, alinhando-se ao percentual aplicado sobre pessoas físicas
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Medidas provisórias e propostas tributárias para ampliar a base de arrecadação
Além dos ajustes diretos no IOF, o governo também avalia um conjunto de medidas provisórias e projetos de lei voltados à tributação de aplicações financeiras e revisão de benefícios fiscais. Confira abaixo.
Medidas provisórias em aplicações financeiras:
- Unificação da alíquota do Imposto de Renda (IR) para investimentos: aplicações financeiras em geral deixariam de seguir a tabela regressiva (de 22,5% a 15%) e passariam a ser tributadas com uma alíquota única de 17,5%
- Tributação de LCA, LCI, CRI, CRA e LCD: novas emissões desses títulos, que hoje são isentos de IR, passariam a pagar 5%. Os investidores também teriam direito à compensação de perdas e ganhos em sua declaração do IR
- Hedge no exterior: o governo quer igualar as regras para operações de proteção (hedge) no exterior às aplicadas em bolsas brasileiras, estendendo a regulação também ao mercado de balcão
- Aluguel de ações: atualização da legislação que rege o aluguel de ações, para que ela reflita as práticas atuais do mercado. A entrada em vigor depende de regras de noventena e anualidade
Revisão de benefícios tributários:
- Corte de 10% nas isenções fiscais: a proposta inclui rever isenções de empresas do Simples Nacional, produtos da cesta básica, imunidades tributárias e benefícios concedidos a entidades sem fins lucrativos
Outras propostas em análise:
- Tributação sobre bets: a alíquota de 12% sobre apostas online (bets) seria elevada para 18%
- Mudança na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) para fintechs: a faixa de 9% da CSLL, praticada por fintechs, seria eliminada. Essas empresas passariam a pagar 15%
Reunião entre Haddad e Lula deve definir próximos passos
A reunião entre Haddad e o presidente Lula, marcada para esta terça-feira (10), deve ser decisiva para definir o futuro do decreto que reajustou as alíquotas do IOF no fim de maio.
A expectativa é que, a partir desse encontro, o governo avance na formatação de um pacote de ajustes que una responsabilidade fiscal e preservação do consumo.
Leia também: Tenho que pagar IOF para liberar empréstimo? Alerta de golpe
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Perguntas frequentes
O que é IOF e quanto é cobrado?
O IOF é um imposto federal sobre operações financeiras. Para compras internacionais no cartão, é cobrado 3,5%; para crédito, é de 0,38% diários enquanto o valor devido estiver em aberto.
Por que o IOF foi criado?
O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) foi criado com o objetivo de arrecadar recursos para o governo federal e regular operações financeiras no Brasil.
Onde é cobrado o IOF?
O IOF é cobrado em empréstimos ou financiamentos, compra ou venda de moeda estrangeira, seguros, resgate de investimentos, títulos e fundos imobiliários, cheque especial e cartão de crédito (compras internacionais, compras acima do limite, atraso no pagamento da fatura do cartão de crédito, etc).
Como calcular o IOF de compra?
Multiplique o valor total da compra em reais pela alíquota correspondente. Por exemplo, para uma compra de R$ 1.000,00 com taxa de 4,38%, o IOF será de R$ 43,80