Posso vender energia solar para o meu vizinho? Regras

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A energia solar vem ganhando cada vez mais espaço nas residências e empresas brasileiras. Sustentável, econômica e com ótimo retorno a longo prazo, essa alternativa tem se tornado um investimento estratégico.

Com o crescimento da produção residencial de energia, é comum surgirem dúvidas como: posso vender energia solar para meu vizinho? Essa questão é especialmente frequente entre pessoas que geram mais do que consomem e gostariam de compartilhar. 

A seguir, entenda o que a legislação brasileira permite, quais são as formas legais de compartilhar energia solar com outras pessoas, como funciona a geração compartilhada e os cuidados necessários antes de realizar esse tipo de operação.

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É permitido vender energia solar para outra pessoa?

Não é permitido vender energia solar diretamente para outra pessoa, seja física ou jurídica, no modelo tradicional de compensação de créditos regulado pela ANEEL

A legislação brasileira não autoriza a negociação direta de energia entre particulares sem a intermediação da distribuidora e fora das regras específicas previstas para a geração distribuída.

No entanto, se você está se perguntando “posso vender energia solar para meu vizinho”, existem sim alternativas legais que permitem compartilhar o excedente da energia gerada. 

É possível utilizar modalidades como o autoconsumo remoto, quando há mais de uma unidade consumidora vinculada ao mesmo CPF ou CNPJ, ou aderir a modelos de geração compartilhada, como consórcios.

Essas formas autorizadas possibilitam o uso coletivo da energia produzida, garantindo que os créditos gerados pelas placas solares sejam aproveitados por outras pessoas, desde que dentro das regras da distribuidora e com contrato formal entre os participantes.

Confira: Quanto custa uma placa de energia solar para residência?

O que diz a legislação brasileira sobre a venda de energia solar?

A legislação brasileira determina que toda energia excedente gerada deve ser injetada na rede da distribuidora, gerando créditos que podem ser usados posteriormente ou compartilhados com outras unidades do mesmo titular.

A Lei 14.300/2022, conhecida como o Marco Legal da Geração Distribuída, é a principal norma que regula esse processo. 

Ela estabelece que consumidores conectados à rede elétrica, como os que possuem sistemas fotovoltaicos, podem participar do sistema de compensação de energia elétrica

Nesse modelo, a energia não utilizada no momento da geração vira crédito que pode ser usado em faturas futuras ou em outras contas com o mesmo CPF ou CNPJ, desde que dentro da mesma área de concessão.

Se a intenção for vender energia diretamente a terceiros, como vizinhos, seria necessário operar no mercado livre de energia. 

Esse ambiente, porém, ainda é restrito a grandes consumidores e não está disponível para residências ou pequenos comércios.

Portanto, embora o compartilhamento de créditos seja legal, a venda direta para outro consumidor, sem mediação da distribuidora, continua sendo proibida.

Leia também: IPTU verde e desconto energia solar: como e onde funciona

Como funciona a geração compartilhada de energia solar?

A geração compartilhada de energia solar funciona quando um grupo de consumidores se une para instalar uma única usina fotovoltaica e divide a energia gerada entre os participantes. 

Essa energia não é consumida no local onde é produzida, mas sim injetada na rede da distribuidora, gerando créditos de energia. 

Esses créditos são distribuídos proporcionalmente entre os participantes, conforme previamente acordado.

Esse modelo permite que pessoas físicas ou jurídicas economizem na conta de luz, sem necessariamente ter painéis solares em sua própria residência ou empresa. 

A geração compartilhada pode acontecer por meio de cooperativas, consórcios ou fazendas solares, e é regulamentada pela ANEEL dentro do sistema de compensação de créditos.

Um exemplo disso é quando um grupo de vizinhos decide instalar uma usina solar em um terreno compartilhado e dividir os créditos de energia para reduzir as contas de todos.

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Geração em condomínios ou cooperativas

A geração de energia solar em condomínios e cooperativas, também chamada de geração distribuída compartilhada, é totalmente regulamentada no Brasil

Ela é respaldada pela Lei nº 14.300/2022 e pela Resolução Normativa nº 1.059/2023 da ANEEL. No caso dos condomínios, residenciais ou comerciais, os painéis solares podem ser instalados em uma área comum do empreendimento. 

A energia gerada é distribuída entre os condôminos, de acordo com critérios definidos por eles, como o consumo proporcional ou acordos internos.

Os créditos de energia oriundos do sistema são lançados nas contas de luz de cada unidade, permitindo a redução de custos. 

Toda a gestão da usina e do rateio costuma ser decidida em assembleia e registrada na convenção condominial.

Essa forma de compartilhamento está limitada às unidades consumidoras localizadas no mesmo endereço ou empreendimento.

Geração remota e consórcios de consumidores

Na geração remota, a usina solar é instalada em um local diferente do ponto de consumo. Mesmo assim, os créditos de energia gerados podem ser utilizados para abater o valor da conta de luz de outras unidades consumidoras. 

Essa modalidade é ideal para quem possui imóveis distintos na mesma área de concessão e deseja aproveitar a energia gerada em todos eles. Isso só é possível se todos os imóveis estiverem no nome do mesmo titular (CPF ou CNPJ).

Já os consórcios e cooperativas de consumidores permitem que várias pessoas ou empresas se unam para compartilhar os créditos de uma única usina, mesmo que ela não esteja localizada no endereço de nenhum dos participantes. 

Essa estrutura é regulamentada e pode incluir cooperativas, consórcios empresariais ou associações. 

Nesses casos, uma empresa especializada pode ser contratada para cuidar da instalação, manutenção e gestão do sistema, facilitando o acesso à energia limpa para todos os envolvidos.

Continue lendo: Como economizar energia na cozinha para reduzir conta de luz

Quais são as alternativas legais para compartilhar energia solar com vizinhos?

Existem quatro modalidades principais dentro do sistema de Geração Distribuída (GD) no Brasil que permitem o uso compartilhado da energia solar gerada. 

Cada uma delas oferece alternativas viáveis para quem deseja dividir o excedente com outras pessoas, como vizinhos, sem violar a legislação.

A geração local é a mais comum, quando o sistema está instalado na mesma unidade consumidora. Toda energia gerada é utilizada no local e o excedente vira crédito para compensações futuras na mesma conta.

Já o autoconsumo remoto permite usar os créditos em diferentes unidades consumidoras desde que todas estejam no nome do mesmo titular e na mesma área de concessão da distribuidora.

A geração compartilhada acontece quando um grupo de consumidores forma uma cooperativa ou consórcio para compartilhar os benefícios de uma única usina solar. 

A energia é dividida proporcionalmente entre os participantes, mesmo que a usina esteja em outro local.

Por fim, o modelo de empreendimentos com múltiplas unidades consumidoras é comum em condomínios. A geração ocorre em área comum e os créditos são divididos entre os condôminos, reduzindo os custos individuais.

Essas alternativas são regulamentadas e permitem compartilhar energia solar com vizinhos de forma legal e segura, respeitando as regras da distribuidora local e formalizando os acordos em contrato.

Saiba mais: Como economizar energia no ar-condicionado e pagar menos luz

Afinal, como vender energia solar para o meu vizinho?

Embora a venda direta seja proibida, é possível compartilhar a energia excedente dentro das regras da geração compartilhada. Abaixo, confira como fazer isso:

  1. Reúna os interessados: forme um grupo com, no mínimo, 20 pessoas físicas ou jurídicas dispostas a participar do projeto
  2. Verifique a área de concessão: todos os membros da cooperativa devem estar localizados na mesma área de atuação da distribuidora de energia
  3. Formalize a cooperativa: crie uma cooperativa seguindo as regras do Código Civil Brasileiro, com estatuto, CNPJ e registro em cartório
  4. Apresente à distribuidora: leve toda a documentação da cooperativa para a distribuidora, informando o interesse em atuar com geração compartilhada
  5. Instale o sistema fotovoltaico: Após a aprovação, será feita a instalação da usina solar, que fornecerá energia para os participantes conforme os critérios definidos pelo grupo.

Essa é a maneira legal e regulamentada de “vender” ou compartilhar energia solar com o vizinho, transformando o excedente em benefício coletivo.

Entenda: Como a Bandeira Tarifária impacta no valor da conta de luz?

Quais cuidados tomar ao pensar em vender ou compartilhar energia solar?

Antes de dar início ao processo de venda indireta ou compartilhamento de energia solar, é importante tomar alguns cuidados para garantir que tudo seja feito de forma legal, segura e eficiente. Os principais cuidados são:

  • Conhecer a legislação vigente: o processo deve seguir a Lei 14.300/2022, que institui o Marco Legal da Geração Distribuída, e as resoluções da ANEEL
  • Homologar o projeto junto à concessionária: qualquer sistema de geração conectado à rede precisa ser aprovado pela distribuidora local, garantindo segurança e conformidade técnica
  • Entender a modalidade adequada: para compartilhar energia entre imóveis do mesmo titular, o ideal é o autoconsumo remoto. Para compartilhar entre diferentes pessoas, é necessário formar consórcio ou cooperativa
  • Evitar confundir venda com compensação: no Brasil, o excedente de energia não é vendido diretamente, ele é injetado na rede e convertido em créditos, válidos por até 60 meses.

Seguir esses cuidados evita problemas legais, garante transparência entre os envolvidos e assegura que o investimento em energia solar seja aproveitado da melhor forma possível.

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Vale a pena investir em energia solar para vender o excedente?

Sim, investir em energia solar pode ser uma excelente decisão para quem deseja economizar e até obter ganhos com o excedente gerado. 

Ao instalar um sistema fotovoltaico com maior capacidade do que o consumo habitual, o proprietário pode acumular créditos de energia, que podem ser compartilhados com outras unidades ou utilizados em momentos de maior demanda.

Esse tipo de investimento gera economia de até 90% na conta de luz, tem retorno médio em cerca de cinco anos e os equipamentos têm vida útil superior a 25 anos. 

Além disso, imóveis com geração solar costumam ser mais valorizados no mercado imobiliário.

Outro ponto importante é a previsibilidade e proteção contra aumentos nas tarifas de energia, uma vez que a produção própria torna o consumidor menos dependente das distribuidoras.

Sendo assim, embora a venda direta não seja permitida, aproveitar o excedente por meio de geração compartilhada ou autoconsumo remoto é uma forma inteligente e rentável de aumentar os benefícios da energia solar.

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FAQ

Perguntas frequentes

Posso vender energia solar que produzo em casa? 

Não diretamente. A legislação permite apenas o compartilhamento por meio de modalidades legais, como cooperativas ou consórcios.

Ainda tem dúvidas?

Quais regras devo seguir para comercializar o excedente da energia solar?

É preciso estar dentro da geração compartilhada, com cadastro na distribuidora e contrato entre os participantes.

Ainda tem dúvidas?

Para quem posso vender minha energia solar?

Não é permitido vender, mas você pode compartilhar com familiares, vizinhos ou empresas por meio de consórcios e cooperativas.

Ainda tem dúvidas?

É possível mandar sobra de energia solar para outro CPF?

Sim, desde que ambos estejam dentro do mesmo grupo de geração compartilhada e registrados junto à distribuidora.

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Aline Magalhães Aline Magalhães

Aline Magalhães é graduada em Psicologia e Gestão de Recursos Humanos. Atua na meutudo desde 2024, onde começou no mercado financeiro como Agente de Operações nos produtos de Empréstimo Consignado CLT, Saque-Aniversário, Empréstimo Consignado INSS e cartões. Hoje, está na área de marketing no time de conteúdo, escrevendo artigos sobre educação financeira, benefícios e trabalhistas. Adora ouvir música, ler e assistir séries. É apaixonada por boas narrativas e acredita no poder transformador das histórias.

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