A contabilidade possui diversos conceitos que podem parecer complexos, mas são fundamentais para garantir a transparência e a correta avaliação patrimonial das empresas.
O método da equivalência patrimonial é um desses recursos fundamentais para quem atua na área contábil ou precisa analisar demonstrações financeiras com mais precisão.
Por isso, nesta leitura, vamos explicar de forma simplificada o que é esse método e como ele funciona, além da sua importância e como aplicar, evitando erros que podem comprometer a análise contábil. Confira!
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O que você vai ler neste artigo:
O que é o método da equivalência patrimonial?
O método da equivalência patrimonial é uma maneira usada pelas empresas para acompanhar o valor de investimentos que elas possuem em outras empresas.
Em vez de registrar apenas quanto foi pago por esse investimento a princípio, esse método atualiza o valor conforme a empresa investida tem lucro ou prejuízo.
Para ficar mais fácil de entender, imagine que uma empresa comprou parte de outra. Se a empresa investida crescer e lucrar, o valor do investimento também aumenta no balanço da investidora.
Mas se ela tiver prejuízo, o valor do investimento diminui. Ou seja, o resultado da investida afeta diretamente o resultado da empresa que investiu.
Essa metodologia é exigida pelas normas brasileiras de contabilidade (NBCs) e está prevista na Lei das Sociedades por Ações (Lei nº 6.404/76).
Esse método é usado principalmente quando a empresa investidora tem uma participação importante na outra, como quando ela possui pelo menos 20% das ações ou consegue influenciar decisões importantes.
Em resumo, o método da equivalência patrimonial serve para deixar as contas mais próximas da realidade, mostrando de forma clara o impacto que esses investimentos têm no patrimônio e nos resultados da empresa.
Em quais situações o método é obrigatório?
O método da equivalência patrimonial não é usado em qualquer investimento que uma empresa faz.
Ele só é obrigatório em casos específicos, quando a empresa investidora tem um tipo de participação mais ativa e relevante na empresa investida.
Na prática, isso acontece principalmente quando:
- A empresa investidora possui influência significativa sobre a outra. Isso quer dizer que ela consegue participar das decisões financeiras e operacionais, mesmo sem ter o controle total
- Essa influência costuma existir quando a empresa investidora detém 20% ou mais das ações com direito a voto da investida
- Também pode ser o caso se, mesmo com menos de 20%, houver acordos ou situações em que a investidora consegue opinar nas decisões estratégicas da empresa
Além disso, o método é exigido quando a empresa investidora controla diretamente ou em conjunto a outra empresa, como nas chamadas coligadas e controladas.
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Resumindo: o método é obrigatório sempre que a relação entre as duas empresas for tão próxima que os resultados de uma impactem diretamente o patrimônio e o lucro da outra.
Como calcular a equivalência patrimonial?
Calcular a equivalência patrimonial pode parecer complicado, mas o processo é mais simples do que parece quando entendemos a lógica.
O cálculo basicamente atualiza o valor do investimento feito em uma empresa, levando em conta o lucro ou prejuízo que ela teve no período.
Para calcular, siga este raciocínio:
- Comece com o valor do investimento inicial: esse é o montante que a empresa investidora aplicou para adquirir a participação na outra empresa.
- Ajuste pelo percentual de participação: identifique qual a porcentagem de participação da investidora na empresa investida. Esse percentual será usado para calcular a parte do lucro ou prejuízo que será incorporada.
- Some ou subtraia o resultado proporcional: se a empresa investida teve lucro, você adiciona a parte proporcional desse lucro ao valor do investimento. Se teve prejuízo, subtrai.
- Considere outros ajustes no patrimônio líquido: alterações no patrimônio da empresa investida (como reavaliações ou distribuições de dividendos) também devem ser refletidas.
A fórmula para aplicar o método da equivalência patrimonial é:
Valor do investimento inicial
+ (Lucro ou prejuízo da investida x Percentual de participação)
– Dividendos recebidos
= Valor do investimento atualizado
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Exemplo de cálculo na prática
Imagine que a empresa X comprou 25% das ações com direito a voto da empresa Y, pagando R$ 200.000 por essa participação. No fim do ano, a empresa Y apurou um lucro de R$ 80.000 e decidiu distribuir R$ 20.000 em dividendos para os acionistas.
Vamos calcular a equivalência patrimonial:
- Valor inicial do investimento: R$ 200.000
- Lucro proporcional:
- Empresa X tem 25% de participação
- 25% de R$ 80.000 = R$ 20.000
- Dividendos recebidos:
- 25% de R$ 20.000 = R$ 5.000
Ajuste no investimento:
R$ 200.000 (inicial) + R$ 20.000 (lucro) – R$ 5.000 (dividendos) = R$ 215.000
No balanço da empresa X, o investimento em Y passará a ser registrado com o valor atualizado de R$ 215.000.
Esse cálculo mostra como o método da equivalência patrimonial mantém o valor do investimento alinhado com os resultados da empresa investida.
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Qual a diferença entre equivalência patrimonial e consolidação?
Embora ambos sejam métodos contábeis usados para lidar com participações societárias, o método da equivalência patrimonial e a consolidação têm finalidades e aplicações bem diferentes.
Entender essa diferença é essencial para evitar confusões na hora de analisar ou elaborar demonstrações financeiras.
O método da equivalência patrimonial (MEP) é aplicado quando uma empresa tem influência significativa sobre outra, mas não chega a controlá-la totalmente.
Nesses casos, o investimento é ajustado no balanço da investidora conforme o lucro ou prejuízo da investida, refletindo a variação no patrimônio líquido dessa participação.
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Já a consolidação é usada quando a empresa controladora detém o controle efetivo sobre outra (controlada).
Nesse método, os balanços patrimoniais e demonstrações de resultados das duas empresas são somados linha por linha, como se fossem uma única entidade econômica.
Assim, todas as receitas, despesas, ativos e passivos são apresentados de forma integrada.
Confira a tabela abaixo com as diferenças listadas de forma prática:
| Diferenças entre Método da Equivalência Patrimonial e Consolidação | ||
|---|---|---|
| Característica | Equivalência Patrimonial | Consolidação |
| Nível de controle | Influência significativa | Controle efetivo |
| Como aparece no balanço | Investimento ajustado no ativo | Demonstrações financeiras unificadas |
| Aplicação | Coligadas e empreendimentos conjuntos | Controladas |
| Forma de apresentação | Ajuste do valor do investimento | Junção de contas de todas as empresas |
Em resumo, o método da equivalência patrimonial ajusta o investimento de forma proporcional, enquanto a consolidação trata as empresas como se fossem uma só, unificando todos os números.
Como o método impacta o balanço patrimonial?
O método da equivalência patrimonial tem um papel direto no balanço patrimonial porque ele altera o valor registrado como investimento na empresa investida.
Isso significa que o saldo contábil não fica parado com o valor pago inicialmente: ele é atualizado conforme a situação financeira da empresa participada.
Quando a investida tem lucro, o investimento registrado no ativo da investidora aumenta proporcionalmente à sua participação.
Por outro lado, se a investida apresenta prejuízo, o valor do investimento diminui. Essa atualização evita que o balanço mostre números defasados e ajuda a representar a realidade econômica da participação societária.
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Além disso, o método também impacta o patrimônio líquido da empresa investidora. O lucro ou prejuízo da investida, proporcional à participação, é refletido na conta de resultado de equivalência patrimonial no demonstrativo de resultados da investidora.
Em resumo, o MEP garante que o balanço patrimonial e as demonstrações financeiras transmitam informações mais precisas sobre o verdadeiro valor dos investimentos, oferecendo uma visão clara para gestores, investidores e demais interessados.
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Perguntas frequentes
Toda participação societária usa equivalência patrimonial?
Não. O método da equivalência patrimonial só é usado quando a empresa investidora tem influência significativa na investida, geralmente a partir de 20% das ações com direito a voto ou quando participa de decisões estratégicas.
Qual a diferença entre custo de aquisição e valor por equivalência?
O custo de aquisição é o valor pago no momento em que a empresa investidora compra a participação na outra empresa. Já o valor por equivalência é o saldo atualizado desse investimento, que considera os lucros ou prejuízos da investida ao longo do tempo.
A equivalência patrimonial afeta o lucro líquido da empresa?
Sim. Os lucros ou prejuízos da empresa investida, proporcionais à participação da investidora, são lançados na demonstração de resultados como resultado de equivalência patrimonial, impactando diretamente o lucro líquido da empresa investidora.
O método é obrigatório para empresas do Simples Nacional?
Não. As empresas optantes pelo Simples Nacional não são obrigadas a aplicar o método da equivalência patrimonial, pois seguem regras contábeis simplificadas. Essa obrigatoriedade vale para empresas que precisam elaborar demonstrações contábeis conforme a Lei das Sociedades por Ações.
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