A Câmara dos Deputados vota, nesta terça-feira (11), o Projeto de Lei 1.663/2023, que propõe diversas mudanças na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
O texto, relatado pelo deputado Ossesio Silva (Republicanos-PE), visa atualizar regras criadas na década de 1940, adequando-as à evolução do mercado e da legislação brasileira.
Entenda as novas regras trabalhistas que serão votadas na Câmara e saiba como elas podem modernizar a CLT e afetar o mercado de trabalho.
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O que você vai ler neste artigo:
Entre as principais mudanças na CLT estão a flexibilização de cotas para trabalhadores estrangeiros, novas diretrizes para sindicatos e ajustes na regulamentação da propriedade industrial dos empregados.
O projeto já passou pela Comissão de Trabalho da Câmara e, se aprovado, seguirá para análise no Senado.
Confira os detalhes dos principais pontos em discussão, abaixo.
Atualmente, a CLT estabelece um limite para a quantidade de trabalhadores estrangeiros em uma empresa.
O novo texto sugere a revogação dessa norma, alinhando-se à Lei n.º 13.445/2017 (Lei de Migração), que garante igualdade de tratamento entre brasileiros e imigrantes.
Na marinha mercante, contudo, a cota de contratação para estrangeiros será mantida, conforme posição do relator. O tema ainda está em debate entre sindicatos e o Ministério do Trabalho.
O projeto inicialmente previa a revogação do artigo 399 da CLT, que incentiva empresas a manterem creches para filhos de funcionários.
No entanto, o relator optou por manter essa regra, considerando sua relevância para o bem-estar dos trabalhadores e de suas famílias.
Confira: Quais são os direitos trabalhistas?
Outra mudança proposta era a revogação do artigo 503, que permite a redução salarial de até 25% em casos de força maior ou prejuízos comprovados.
O relator considerou essa norma incompatível com a Constituição Federal de 1988, que garante a irredutibilidade dos salários, salvo convenção coletiva.
Desde a pandemia, medidas emergenciais, como o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda, já permitiram acordos de redução salarial em situações excepcionais.
Com isso, a revogação desse artigo moderniza a legislação trabalhista, alinhando-se à Constituição.
O projeto também propõe a revogação do artigo 454 da CLT, que previa propriedade compartilhada entre empregador e empregado sobre invenções criadas durante a jornada de trabalho.
A justificativa é que esse tema já é regulado pelo Código de Propriedade Industrial (Lei n.º 9.279/1996), tornando a norma da CLT desnecessária.
Dessa forma, a regulamentação atualizada dá mais segurança jurídica para empresas e trabalhadores.
As alterações na CLT também afetam os sindicatos. O novo texto prevê:
Essas mudanças buscam flexibilizar a atuação dos sindicatos e descentralizar sua regulamentação.
Saiba mais: Quais as diferenças entre CLT ou PJ?
A proposta também adequa a CLT à atual estrutura da Justiça do Trabalho. O projeto elimina menções às antigas “Juntas de Conciliação e Julgamento”, que foram substituídas pelas Varas do Trabalho após a Constituição de 1988.
A proposta ainda pode sofrer alterações antes de ser aprovada. A votação na Câmara dos Deputados é um passo fundamental, mas o projeto precisará passar pelo Senado antes de entrar em vigor.
Especialistas apontam que a modernização da CLT é necessária para acompanhar as mudanças no mercado de trabalho, mas alertam para a necessidade de equilíbrio entre direitos trabalhistas e flexibilidade para empregadores.
Se aprovado, o novo texto pode representar uma das maiores reformas da CLT desde a Reforma Trabalhista de 2017.
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Não. O projeto revoga o artigo 503 da CLT, que permitia redução salarial de até 25% em caso de força maior. A Constituição de 1988 já garante a irredutibilidade salarial, salvo acordo coletivo, e as novas regras mantêm essa proteção aos trabalhadores.
As mudanças da CLT flexibilizam a organização sindical, permitindo que a base territorial seja definida por trabalhadores e empregadores, sem autorização do Ministério do Trabalho. Além disso, a criação de sindicatos nacionais não dependerá mais de aval ministerial.
Não. Inicialmente, o projeto previa a revogação do artigo 399 da CLT, que incentiva empresas a manterem creches. Porém, o relator decidiu manter essa regra, reconhecendo a importância do benefício para o bem-estar dos trabalhadores e suas famílias.
Se aprovadas na Câmara e no Senado, as mudanças da CLT precisam ser sancionadas pelo presidente para entrarem em vigor. O prazo para aplicação dependerá do texto final aprovado, podendo ter vigência imediata ou após regulamentação específica.