Venda de íris continua mesmo após ordem de interrupção; entenda a prática
A prática de escanear a íris por dinheiro vem gerando repercussão no Brasil, especialmente após uma nova determinação da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD).
A ordem determina que a Worldcoin, conduzida pela empresa Tools for Humanity, suspendesse os pagamentos associados à coleta desses dados.
Apesar da ordem, relatos mostram que o serviço continua, o que levanta questões éticas, legais e de privacidade.
Confira como funciona a troca da íris por dinheiro, como é feito esse pagamento, os riscos envolvidos e as medidas tomadas pelas autoridades.
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O que você vai ler neste artigo:
Resumo da notícia
- A prática de escanear íris por dinheiro está gerando repercussão no Brasil, mesmo após a ordem da ANPD para suspender os pagamentos pela coleta desses dados.
- A venda da íris por dinheiro envolve a coleta de dados biométricos em troca de criptomoedas, com usuários recebendo worldcoins ao participarem do projeto Worldcoin.
- O processo de venda da íris envolve baixar o aplicativo da Worldcoin, agendar o escaneamento da íris em um ponto de verificação, receber o pagamento em criptomoedas e ter os dados utilizados para criar um código de validação único.
- Os riscos associados incluem questões de privacidade e segurança, consentimento questionável, exploração de populações vulneráveis e possíveis riscos tecnológicos.
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O que é a troca da íris por dinheiro?
A troca da íris por dinheiro é uma prática onde empresas coletam dados biométricos, especificamente da íris dos olhos, em troca de pagamentos financeiros. No caso da Worldcoin, os usuários recebem criptomoedas ao participarem do projeto.
O objetivo declarado é criar um sistema de identificação única, chamado World ID, que promete diferenciar humanos de robôs e melhorar a segurança em interações digitais. No entanto, o atrativo principal para muitos participantes é a recompensa financeira.
Como funciona a venda da íris por dinheiro? Para que serve?
O processo da venda da íris é relativamente simples e segue os seguintes passos:
- Baixar o aplicativo: o usuário faz o download do aplicativo da Worldcoin, chamado World App
- Agendamento: com o app, agenda-se um horário para o escaneamento da íris em um dos pontos de verificação
- Escaneamento: no local, dispositivos chamados Orb, que se assemelham a câmeras de alta tecnologia, captam imagens da íris
- Pagamento em criptomoedas: após o registro, os usuários recebem worldcoins, que podem ser convertidas em reais ou outras criptomoedas
Segundo a Worldcoin, os dados são coletados e utilizados para criar um código único de validação chamado código de íris, que permite identificar um ser humano de forma inequívoca, especialmente em ambientes digitais.
Saiba mais: Como funciona a biometria facial?
A empresa afirma que não armazena dados pessoais e a imagem original da íris é imediatamente criptografada e descartada.
O pagamento é feito por criptomoedas, por quê?
O uso de criptomoedas, como a worldcoin, tem algumas razões principais:
- Globalização: criptomoedas podem ser transferidas internacionalmente, facilitando o pagamento em diferentes países
- Inovação tecnológica: associar o pagamento ao projeto de blockchain ajuda a promover a tecnologia que a própria empresa defende
- Volatilidade: o valor das criptomoedas varia, e isso pode beneficiar tanto a empresa quanto os usuários, dependendo do mercado
Quais os riscos?
Embora o processo pareça vantajoso para os participantes devido ao valor pago, há riscos significativos associados:
- Privacidade e segurança: a íris é considerada um dado biométrico sensível. Caso esses dados vazem, podem ser usados para fraudes ou violação de direitos
- Consentimento questionável: segundo a LGPD, o consentimento para coleta de dados sensíveis deve ser livre e informado. Oferecer dinheiro pode influenciar a decisão de pessoas em situação de vulnerabilidade
- Exploração de populações vulneráveis: a prática tem atraído, em sua maioria, pessoas de baixa renda, levantando preocupações sobre exploração econômica
- Riscos tecnológicos: algoritmos avançados ou inteligências artificiais podem usar esses dados para finalidades não reveladas
Coordenação-Geral de Fiscalização ANPD proíbe os pagamentos
Em novembro de 2024, a Coordenação-Geral de Fiscalização da ANPD iniciou uma investigação sobre o projeto Worldcoin.
Confira: O que é Real Digital?
No final de janeiro de 2025, a entidade determinou a suspensão imediata dos pagamentos e exigiu a designação de um encarregado pelo tratamento de dados, conforme exige a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
A decisão da ANPD foi fundamentada nos seguintes pontos:
- Influência financeira: a oferta de pagamentos pode interferir na decisão do titular dos dados, especialmente em populações vulneráveis
- Necessidade de consentimento qualificado: segundo a LGPD, consentimentos para o uso de dados sensíveis precisam ser livres, informados e inequívocos
A Worldcoin, no entanto, continua as operações, afirmando que está em conformidade com as leis brasileiras e que pretende recorrer da decisão.
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Perguntas frequentes
O que é a Worldcoin?
A Worldcoin é um projeto de blockchain liderado pela empresa Tools for Humanity, cujo objetivo é criar um sistema de identificação único baseado em dados biométricos, como a íris dos olhos.
Por que a ANPD suspendeu os pagamentos da Worldcoin?
A ANPD determinou a suspensão porque o pagamento em criptomoedas pode influenciar a decisão de pessoas em situação de vulnerabilidade, comprometendo o consentimento livre e informado.
O que acontece se meus dados forem vazados?
O vazamento de dados biométricos, como a íris, pode levar a fraudes, roubo de identidade e outras violações de privacidade.
Como posso proteger meus dados biométricos?
Leia atentamente os termos de consentimento, pesquise sobre a empresa e avalie se a coleta é realmente necessária para os fins propostos.