Pedalada fiscal: o que é e por que é considerada ilegal

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O termo pedalada fiscal ficou famoso no Brasil em 2014 e esteve no centro de discussões políticas, econômicas e jurídicas pelos anos seguintes.

Embora a expressão seja técnica, seu impacto vai muito além da contabilidade pública, afetando também os princípios legais de transparência e responsabilidade fiscal do país.

Agora, a gente explica o que é pedalada fiscal de forma simplificada, como ela funciona, por que é considerada ilegal e quais os riscos dessa prática. Continue lendo e fique por dentro!

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O que é pedalada fiscal?

A pedalada fiscal é uma manobra contábil usada por governos para atrasar o pagamento de despesas obrigatórias, criando uma falsa aparência de que as contas públicas estão equilibradas.

Na prática, o Governo Federal atrasa os repasses aos bancos públicos, adiando a contabilização oficial dos gastos. 

Com isso, os dados fiscais divulgados passam a sensação de que o governo está gastando menos, inflando indicadores, como o superavit primário.

Essa prática viola regras da contabilidade pública e da Lei de Responsabilidade Fiscal n.º 101, pois oculta o verdadeiro resultado financeiro do período.

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Como funcionam as pedaladas fiscais?

As pedaladas fiscais acontecem quando o governo usa bancos públicos para cobrir temporariamente despesas obrigatórias, sem fazer os repasses no prazo legal.

Na prática, o funcionamento das pedaladas fiscais ocorre assim: 

  • O Tesouro Nacional atrasa de propósito os repasses aos bancos responsáveis por financiar benefícios sociais, como a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil
  • O banco cobre os gastos com dinheiro próprio, realizando os pagamentos normalmente, como Bolsa Família e subsídios ao crédito rural
  • Como o gasto não consta nos relatórios, as contas públicas aparentam equilíbrio fiscal

No entanto, essa manobra gera um financiamento indireto e não declarado entre o governo e os bancos públicos, o que é proibido pelo art. 36 da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Os gestores públicos que utilizam essa prática podem sofrer penalidades por crime de responsabilidade, como foi o caso do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

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Por que a pedalada fiscal é considerada ilegal?

Segundo o artigo 36 da Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar n.º 101/2000), é ilegal a operação de crédito entre o governo e as instituições financeiras que ele controla.

Dessa forma, a pedalada fiscal viola diretamente a legislação brasileira, já que a manobra permite que o governo faça empréstimos com bancos públicos dos quais é controlador.

Essa proibição existe para evitar fraudes contábeis, impedindo o Governo Federal de mascarar resultados, garantindo a transparência e legalidade dos gastos públicos.

Quem fiscaliza e denuncia pedaladas fiscais no Brasil?

No Brasil, a fiscalização das contas públicas é feita por vários órgãos, mas o principal fiscalizador é o Tribunal de Contas da União (TCU).

O TCU é responsável por analisar a legalidade das contas do Governo Federal e emitir pareceres que podem ser usados pelo Congresso Nacional.

Para investigação e denúncia de crimes relacionados à corrupção, o Ministério Público pode atuar em parceria com o TCU. 

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Além dele, a Controladoria-Geral da União (CGU) e os tribunais de contas estaduais atuam em domínio interno e regional, respectivamente.

Nesse contexto, o papel dos civis e da imprensa também é essencial. Cidadãos, jornalistas e entidades civis podem denunciar possíveis irregularidades às autoridades competentes.

A movimentação pública ajuda a pressionar os órgãos oficiais, cobrando mudanças e garantindo a correta prestação de contas do Estado.

Quais os riscos e consequências das pedaladas fiscais?

Apesar de parecer uma solução para os cofres públicos, as pedaladas fiscais geram desconfiança no mercado, afetando a credibilidade do governo, o controle da inflação e a percepção de risco do país.

Também podem resultar em sanções severas aos gestores públicos envolvidos, como:

  • Reprovação das contas pelo TCU
  • Incapacidade para exercer cargos públicos
  • Ações por improbidade administrativa, como perda de mandato, suspensão de direitos políticos e aplicação de multas
  • Ações penais e civis, como prisão dos envolvidos e devolução dos valores
  • Cassação de mandato, como no impeachment de Dilma Rousseff em 2016

Além disso, essas manobras apresentam riscos econômicos ao país, como:

  • Comprometimento do planejamento fiscal
  • Atraso no pagamento de programas sociais
  • Desequilíbrios nas contas públicas futuras
  • Aumento dos juros da dívida pública

Além disso, esse comportamento pode influenciar políticos de outras regiões a tomarem decisões parecidas, o que pode gerar um descontrole financeiro ainda maior.

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A pedalada fiscal é uma prática ilegal e evitá-la é fundamental para manter a responsabilidade fiscal e a confiança na gestão do dinheiro público.

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FAQ

Perguntas frequentes

O que caracteriza uma pedalada fiscal?

A pedalada fiscal acontece quando o governo gera um atraso intencional no repasse de recursos públicos, com o objetivo de ocultar gastos e melhorar artificialmente os resultados fiscais.

Ainda tem dúvidas?

Pedalada fiscal é crime ou apenas irregularidade?

A pedalada fiscal é considerada crime de responsabilidade, pois viola a Lei de Responsabilidade Fiscal e pode gerar punições administrativas, civis e políticas.

Ainda tem dúvidas?

Qual é a lei que proíbe a pedalada fiscal?

A Lei Complementar n.º 101/2000, conhecida como Lei de Responsabilidade Fiscal, proíbe a pedalada fiscal, especialmente no artigo que proíbe empréstimos entre entidades públicas.

Ainda tem dúvidas?

Toda antecipação de pagamento pode ser considerada pedalada?

Não. Pedalada fiscal é o adiamento de despesas já realizadas. Antecipações de pagamentos feitas com base legal, autorização e transparência não configuram ilegalidade.

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Kamilla Aires Kamilla Aires

Kamilla Aires é formada em Publicidade e Propaganda e faz parte da meutudo desde 2021. Iniciou sua trajetória no time de Customer, onde teve contato com o mercado financeiro, e hoje integra o time de redatores SEO. Gosta de escrever sobre crédito, finanças pessoais e temas relacionados à educação financeira. Quando não está escrevendo, divide o tempo entre explorar novos lugares e maratonar suas séries favoritas.

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