Selic pode cair a 11% em 2026 e até 9% no fim do ano, dizem gestores
A taxa Selic pode encerrar 2026 em 11% ao ano, ou até menos. Essa é a avaliação de gestores de grandes casas de investimento, que passaram a defender cortes mais intensos do que o consenso atual do mercado projeta.
Enquanto o boletim Focus aponta juros em 12% em dezembro, nomes como Bruno Serra, Marco Freire e Christiano Chadad enxergam espaço para reduções mais aceleradas.
A seguir, você confere os argumentos que sustentam essa visão e o que pode mudar esse cenário. Continue a leitura!
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O que você vai ler neste artigo:
Resumo da notícia
- Aqui estão as 5 informações mais importantes sobre a possibilidade de a taxa Selic cair em 2026:
- A taxa Selic pode encerrar 2026 em 11% ao ano, ou até 9%, de acordo com gestores de grandes casas de investimento, como Bruno Serra e Christiano Chadad.
- A inflação deve girar em torno de 3% até outubro e fechar o ano em 3,5%, o que deve sustentar cortes na Selic.
- O PIB (Produto Interno Bruto) está próximo do potencial, estimado em 2%, e o crescimento econômico tem sido puxado pelo agronegócio e pela extração mineral.
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Gestores veem Selic abaixo do consenso do mercado
A projeção predominante no mercado financeiro indica a Selic em 12% ao ano no fim de 2026. No entanto, esse número começou a ser questionado.
Bruno Serra, ex-diretor de Política Monetária do Banco Central e atual gestor do Itaú Asset Management, afirmou em evento do BTG Pactual que a taxa básica deve terminar o ano em 11% “no mínimo”.
A avaliação foi acompanhada por Marco Freire, da Kinea, e por Christiano Chadad, sócio e gestor do BTG Volt.
A diferença não é pequena. Estamos falando de pelo menos 1 ponto percentual abaixo do esperado, e, segundo Serra, o risco é ainda maior: a Selic poderia parar em 9% no fim do ano, não em 12%.
Inflação em 3% e economia em desaceleração sustentam cortes
Mas qual é o principal argumento para essa projeção mais otimista?
Segundo Serra, a inflação deve girar em torno de 3% até outubro e fechar o ano em 3,5%. O único entrave relevante seria a condução da política fiscal.
Além disso:
- O PIB (Produto Interno Bruto) está próximo do potencial, estimado em 2%
- O crescimento tem sido puxado pelo agronegócio e pela extração mineral, com destaque para Vale e Petrobras
- Excluindo agro e mineração, a economia com potencial inflacionário cresce 1,5% e desacelera
- O mercado de trabalho também mostra perda de fôlego.
Apesar de os salários ainda estarem fortes, a tendência, segundo o gestor, é de acomodação conforme a inflação se aproxima da meta.
E aqui surge o ponto central: com inflação corrente perto de 3% e sinais de desaceleração econômica, manter juros em 15% parece excessivamente restritivo.
O que é juro neutro e por que ele importa?
Para entender a discussão, é preciso esclarecer um conceito-chave: juro neutro.
O juro neutro é a taxa real de juros (descontada a inflação) que mantém a economia em equilíbrio, sem pressionar os preços e sem frear o crescimento.
Atualmente:
- O Banco Central estima o juro neutro em 8,5%
- O mercado trabalha com 9,5%
- Serra adiciona 1,5 ponto percentual de margem.
Mesmo com essa vantagem, a Selic poderia terminar 2026 em 11%, abaixo do consenso. Para atingir esse patamar, no entanto, o Banco Central precisaria acelerar o ritmo de cortes.
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Ritmo de cortes pode surpreender já em maio
Qual seria o caminho para chegar a 11% ou menos? Serra projeta:
- Primeiro corte de 0,5 ponto percentual em maio
- Dois cortes seguintes de 0,75 ponto a partir de junho
Esse movimento levaria a Selic a um nível mais próximo do neutro de forma mais rápida do que o mercado espera.
Chadad reforça essa leitura e acrescenta um fator político: historicamente, o Brasil não costuma promover cortes de juros durante o processo eleitoral.
Por isso, haveria incentivo para antecipar reduções antes do período mais sensível do calendário político.
Saiba mais: COPOM: o que é, como funciona e qual a sua importância?
Política fiscal é o principal risco
Apesar do cenário favorável para a inflação, os gestores deixam claro que tudo depende da manutenção da política fiscal atual. Se o governo ampliar gastos, o quadro pode mudar rapidamente.
Chadad alerta que a combinação de Poder Executivo gastando muito e Banco Central perseguindo meta pode se esgotar nos próximos anos.
Segundo ele, o próximo governo, mesmo que seja o atual, terá dificuldades para sustentar níveis elevados de despesa pública.
O risco, nesse caso, seria bater em um “muro de dívida” e voltar a discutir dominância fiscal, quando a política monetária perde eficácia diante do descontrole das contas públicas.
Comparação internacional: Selic em 12% é desproporcional?
Marco Freire, da Kinea, classificou a Selic em 15% como um excesso, e afirmou que 12% também seria exagerado.
Ele comparou o Brasil a outros emergentes:
- México → Inflação de 4% e juros de 6,5%
- África do Sul → Inflação de 3% e juros de 6%
Mesmo considerando que o Brasil tem dívida mais elevada, Freire avalia que 12% representa praticamente o dobro das taxas praticadas por economias comparáveis.
Para ele, o país mantém instituições sólidas, ainda que tenham sido fragilizadas recentemente, o que não justificaria juros tão altos por período prolongado.
Leia também: O que a Taxa Selic afeta no Consignado? Qual a taxa nesse ano?
Banco Central mantém discurso cauteloso
Apesar das projeções mais agressivas, o Banco Central evita antecipar movimentos.
No boletim Focus (relatório de expectativas do mercado) mais recente, houve a primeira revisão para baixo da Selic terminal em mais de quatro meses, de 12,25% para 12,13%. Ainda assim, o patamar segue acima do defendido por parte dos gestores.
O presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou que o momento exige “calibragem”. Segundo ele:
- A autoridade monetária continuará dependente dos dados
- Não haverá sinalizações adicionais além do já comunicado
- Termos como “serenidade” e “parcimônia” não indicam mudança na estratégia.
Galípolo também destacou que qualquer indicação antecipada pode ser frustrada diante das incertezas geopolíticas, da política econômica dos Estados Unidos e das eleições brasileiras. A discussão sobre a Selic em 2026 ganhou novos contornos.
Embora o mercado ainda projete juros próximos de 12%, gestores de peso defendem que a combinação de inflação comportada, economia desacelerando e juro neutro mais baixo pode levar a taxa para 11%, ou até 9% no fim do ano.
O fator decisivo será a política fiscal (como o governo irá controlar seus gastos e arrecadações) e a evolução dos dados econômicos nos próximos meses.
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Perguntas frequentes
A Selic pode realmente cair para 11% em 2026?
Sim, segundo gestores como Bruno Serra, há espaço para a Selic encerrar 2026 em 11% ou até menos, caso a inflação permaneça próxima de 3% e a economia siga desacelerando.
Qual é a projeção do boletim Focus para a Selic em 2026?
O boletim Focus indica taxa em torno de 12% ao ano em dezembro, embora tenha havido leve revisão para 12,13%.
Por que a inflação influencia os cortes na Selic?
Porque juros mais altos são usados para conter a inflação. Se os preços estiverem próximos da meta, o Banco Central pode reduzir a taxa básica.
O que pode impedir a queda da Selic?
Mudanças na política fiscal, aumento de gastos públicos ou deterioração das expectativas podem interromper ou desacelerar o ciclo de cortes.