Conflito entre Bacen e Planalto pode fazer Selic subir, alertam economistas
A recente escalada do dólar e o aumento da curva de juros estão no centro das atenções dos mercados financeiros brasileiros.
Na última segunda-feira (1º), após uma entrevista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, criticando o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, e sinalizando a indicação de um sucessor alinhado ao seu governo, o valor do dólar disparou.
Essa situação acende um alerta sobre a possibilidade de aumento da taxa Selic, caso não haja uma trégua na relação entre o Planalto e o BC.
A seguir, você confere mais detalhes sobre o conflito entre Planalto e Bacen, previsões dos especialistas sobre a Selic e mais sobre esse tema. Continue a leitura para saber mais.
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O que você vai ler neste artigo:
Resumo da notícia
- Conflito entre Planalto e Banco Central aumenta a tensão no mercado financeiro brasileiro.
- Possibilidade de aumento da taxa Selic se intensifica caso a relação entre as instituições não seja resolvida.
- Economistas alertam para riscos de choque inflacionário e preveem revisões para cima nos índices de inflação.
- Intervenção no mercado cambial pode ser necessária para conter a volatilidade do dólar.
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Tensão entre Planalto e BC
Na entrevista, Lula criticou a postura de Campos Neto e afirmou que o indicado para sucedê-lo deverá estar alinhado com as políticas do governo.
Esse posicionamento tem gerado um estresse na curva de juros, com o dólar acumulando uma alta de 16,6% no ano, conforme dados da Austin Rating, tornando-se uma das moedas mais desvalorizadas do mundo.
Os economistas Tony Volpon e André Perfeito alertam sobre os riscos de um choque inflacionário caso essa situação persista.
Volpon, ex-diretor do Banco Central, destacou em uma postagem no X (antigo Twitter) que o país está “contratando um choque inflacionário sem nenhuma razão”.
Perfeito, ex-economista-chefe da Necton Investimentos, complementa que tanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) quanto o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) deverão ser revisados para cima.
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Impactos do conflito
Os especialistas são enfáticos na necessidade de cessar o conflito institucional.
“Membros do Copom com trânsito no Palácio do Planalto deveriam avisar ao governo que, se a escalada do dólar não for controlada, o BC terá que subir a taxa Selic em breve”, sugeriu Volpon.
Perfeito reforça a ideia, afirmando que o BC pode ter que iniciar um ciclo de aperto monetário caso a situação não seja contida.
Para Volpon, uma possível intervenção no mercado cambial poderia ser uma solução para controlar a volatilidade do dólar, mas isso não será eficaz se o conflito continuar.
Aprenda: SCR Bacen: o que é, como consultar, limpar e restrições
Ele sugere que os membros do Copom negociem uma trégua para evitar a escalada destrutiva do dólar.
O papel do BC
André Perfeito critica a aparente falta de disposição do BC em intervir no mercado cambial ou utilizar a comunicação para acalmar os ânimos.
“Como já sabemos, o Copom se fez path dependent do Focus e assim não é difícil imaginar o que pode ocorrer”, alertou o economista.
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Além disso, a curva de juros fechou a segunda-feira indicando uma alta da Selic na reunião de 31 de julho, com 69% de probabilidade de aumento de 25 pontos-base, de 10,5% para 10,75%.
Essa é a primeira vez que a precificação de uma alta da Selic este ano foi predominante.
Previsões para a Selic
A curva de juros também aponta para um aumento de 150 pontos-base na Selic até janeiro de 2025, o que elevaria a taxa dos atuais 10,5% para 12%.
Esse movimento começou após a declaração do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sobre possíveis mudanças no limite de despesas no arcabouço fiscal, declaração que foi rapidamente desmentida.
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A continuidade do conflito entre Planalto e Banco Central pode ter sérias consequências para a economia brasileira, incluindo um aumento na taxa Selic para conter a inflação.
Economistas e analistas do mercado financeiro destacam a necessidade urgente de uma trégua para evitar um ciclo de aperto monetário e estabilizar a moeda.
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Perguntas frequentes
O que é a taxa Selic?
A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, usada como referência para outras taxas de juros e como instrumento de controle da inflação.
Por que a taxa Selic pode subir?
A Selic pode subir como uma medida para conter a inflação, especialmente se houver uma desvalorização significativa do real, que impacta os preços de produtos e serviços.
Qual a relação entre o dólar e a Selic?
Quando o dólar sobe muito em relação ao real, isso pode gerar inflação importada, pressionando o Banco Central a aumentar a Selic para controlar os preços.