Figurinhas da Copa deixam rastro ambiental com lixo que dura 100 anos

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Estima-se que os primeiros dias de venda das figurinhas da Copa já geraram 11,7 toneladas de um resíduo que leva até 100 anos para sumir.

Colecionar figurinhas da Copa do Mundo é uma tradição que atravessa gerações no Brasil. A cada Mundial, bilhões de adesivos são vendidos pelo país e a maioria dos consumidores acredita que, por ser papel, o descarte é simples e sustentável.

No entanto, o liner, papel siliconado que protege a parte colante de cada figurinha, é um resíduo de difícil reciclagem e pode permanecer no meio ambiente por até 100 anos.

A seguir, entenda o que é o liner, por que ele representa um problema ambiental, quanto já foi gerado pelo álbum da Copa de resíduo nos primeiros dias da Copa de 2026 e de quem é a responsabilidade pelo descarte correto desse material.

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Resumo da notícia
  • Aqui estão as informações mais relevantes sobre a notícia:
  • Liner: um problema ambiental**: O liner é um papel siliconado que protege a parte colante das figurinhas da Copa do Mundo. Ele é difícil de reciclar e pode levar até 100 anos para se decompor no meio ambiente, contribuindo para a emisso de gases de efeito estufa.
  • Reciclagem e descarte**: A reciclagem do liner é um processo longo e caro, e há poucas iniciativas no Brasil para lidar com esse material. A maioria do liner acaba no lixo comum, e o Brasil não tem estrutura para receber e tratar esse material de forma adequada.
  • Quantidade de resíduo**: Nos primeiros dias da Copa de 2026, foram vendidos 6,7 milhões de pacotes de figurinhas, totalizando quase 47 milhões de adesivos. Isso corresponde a cerca de 11,7 toneladas de papel liner, e o número tende a crescer consideravelmente até o encerramento do torneio.
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O que é o liner e por que ele é um problema ambiental

O liner trata-se de um papel siliconado que reveste a parte colante das figurinhas, protegendo os adesivos até o momento em que são colados no álbum. 

O problema está justamente nesse revestimento de silicone, ele dificulta o processo de reciclagem e retarda a decomposição do material no ambiente.

Grande parte dos consumidores acredita que, por se tratar de papel, o descarte é simples: basta jogar no lixo reciclável e o material retorna ao ciclo produtivo. 

Porém, não é bem assim. A reciclagem do liner exige um processo longo, custoso e com pouquíssimas iniciativas disponíveis no país, o que faz com que a maior parte desse material termine como lixo comum.

Segundo especialistas, o liner pode levar até 100 anos para se decompor em aterros sanitários. Durante esse período, misturado a outros resíduos, contribui para a emissão de gases de efeito estufa. 

Para Fabrício Stocker, professor e pesquisador sobre sustentabilidade da FGV, “o fim dele, infelizmente, é poluir o meio ambiente”.

Qual a diferença entre reciclável e reciclabilidade?

Um ponto central do debate é a distinção entre ser reciclável e ter reciclabilidade. Um material reciclável pode, em teoria, ser transformado em novo produto. 

Já a reciclabilidade diz respeito ao potencial real de passar por esse processo e o liner, apesar de tecnicamente reciclável, exige um processo longo, caro e pouco disponível no Brasil. 

Não há estrutura em todos os estados para receber e tratar esse material, o que faz com que ele raramente chegue a uma destinação adequada.

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Quanto resíduo o álbum da Copa já gerou?

Para dimensionar o problema, foram usados como base os dados de uma ação promocional entre uma plataforma de entrega e a Panini, editora do álbum oficial. 

Nos primeiros dias de campanha, foram vendidos 6,7 milhões de pacotes, com sete figurinhas cada, totalizando quase 47 milhões de adesivos.

Para estimar o peso desse volume em liner, os dados foram cruzados com uma iniciativa de coleta realizada durante a Copa do Mundo de 2022, no Catar. 

Na ocasião, a Dow Brasil, empresa responsável pela tecnologia siliconada utilizada pela Panini, recolheu 168 mil liners, o que foi equivalente a 42 quilos de papel encaminhados para reciclagem, um volume que representou apenas uma pequena fração do total gerado.

Com base nessa proporção, os quase 47 milhões de adesivos comercializados nos primeiros dias da Copa de 2026 já correspondem a cerca de 11,7 toneladas de papel liner e esse número tende a crescer consideravelmente até o encerramento do torneio.

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De quem é a responsabilidade pelo descarte do liner

O Brasil conta com a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que prevê que fabricantes respondam pelo destino de suas embalagens.

Porém, a legislação não deixa definido o que exatamente precisa ser recolhido nem de quem é a obrigação quando há mais de um ator na cadeia produtiva.

No caso do álbum, a Panini vende as figurinhas e a Dow fornece a tecnologia de silicone. Até o momento, a Panini não se manifestou sobre o impacto ambiental da produção

A Dow informou, em nota, que trabalha em parceria com outros atores para aumentar a reciclabilidade do material.

Hoje, há iniciativas isoladas, como a da empresa Polpel, em Guarulhos (SP), que aceita o envio de liners para reciclagem. 

No entanto, o consumidor precisa enviar o material até a fábrica, o que transfere a responsabilidade para quem menos tem poder de mudança na cadeia.

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O que o consumidor pode fazer agora?

Quando o liner é descartado em aterros, que é o destino mais comum, ele não some rapidamente. O revestimento de silicone compromete a decomposição do material, que pode levar até 100 anos para desaparecer. 

Durante esse processo, misturado a outros resíduos, contribui para a liberação de gases de efeito estufa.

Apesar das limitações estruturais, especialistas recomendam que o liner seja separado e descartado no lixo reciclável, onde há mais chance de triagem e encaminhamento adequado. 

Além disso, a empresa Polpel, de Guarulhos (SP), mantém uma campanha ativa de recebimento de liners para reciclagem. 

Para participar, basta guardar apenas os liners, sem as figurinhas, até reunir um volume que justifique o envio, e encaminhar o material pelos Correios ou diretamente ao endereço: Rua Padre Marcos, 761 – Cidade Aracília – Guarulhos (SP) – CEP 07250-071.

Vale lembrar que, embora o consumo consciente individual seja importante, a responsabilidade maior recai sobre quem produz. 

Cabe aos fabricantes desenvolver soluções que contemplem o ciclo completo do produto, desde a origem até o descarte final.

Enquanto o debate sobre responsabilidade avança lentamente, a Copa do Mundo continua movimentando a venda de figurinhas e gerando toneladas de um resíduo para o qual ainda não há solução em escala. 

A cultura do álbum da Copa, consolidada há décadas, não foi acompanhada por uma cadeia de descarte à altura do volume produzido.

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FAQ

Perguntas frequentes

O liner das figurinhas pode ser jogado no lixo comum?

Não é o ideal. O recomendado é descartá-lo no lixo reciclável, onde há mais chance de triagem e encaminhamento para empresas especializadas em reciclagem desse material.
Ainda tem dúvidas?

Existe algum ponto de coleta de liner no Brasil?

Sim. A empresa Polpel, em Guarulhos (SP), aceita o envio de liners para reciclagem. No entanto, é preciso enviar o material diretamente até a fábrica.
Ainda tem dúvidas?

A Panini tem algum programa de descarte para o liner?

Até o momento, a Panini não divulgou nenhum programa oficial de descarte ou reciclagem do liner gerado pela venda das figurinhas da Copa 2026.
Ainda tem dúvidas?

Quanto tempo o liner leva para se decompor na natureza?

Segundo especialistas, o revestimento de silicone retarda a decomposição e o material pode levar até 100 anos para se decompor quando descartado em aterros ou no meio ambiente.
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Aline Magalhães Aline Magalhães

Aline Magalhães é graduada em Psicologia e Gestão de Recursos Humanos. Atua na meutudo desde 2024, onde começou no mercado financeiro como Agente de Operações nos produtos de Empréstimo Consignado CLT, Saque-Aniversário, Empréstimo Consignado INSS e cartões. Hoje, está na área de marketing no time de conteúdo, escrevendo artigos sobre educação financeira, benefícios e trabalhistas. Adora ouvir música, ler e assistir séries. É apaixonada por boas narrativas e acredita no poder transformador das histórias.

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