Voto feminino completa 94 anos, mas mulheres ainda são minoria no Congresso
Em 24 de fevereiro, o Brasil celebra o Dia da Conquista do Voto Feminino, data que relembra a promulgação do Código Eleitoral de 1932, responsável por garantir às mulheres o direito de votar e ser votadas em âmbito nacional.
A conquista, oficializada pelo Decreto nº 21.076, também instituiu o voto secreto e criou a Justiça Eleitoral.
Hoje, as mulheres representam 52% do eleitorado brasileiro, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Mesmo sendo maioria nas urnas, elas ainda enfrentam um desafio histórico: ocupar, de fato, os espaços de poder.
Quer entender como essa trajetória começou e por que a igualdade política ainda está distante? Continue a leitura.
|
Confira as melhores soluções
meutudo para você |
|||
|---|---|---|---|
| Produto | Taxa a partir de | Pagamento | |
| Empréstimo Consignado | 1,39% a.m | 2 a 108 parcelas | |
| Antecipação Saque-aniversário | 1,79% a.m | antecipe a partir de R$50 | |
| Empréstimo para BPC/LOAS | Sob consulta | Até 24 parcelas | |
| Consignado Privado CLT | 2,48% a.m. | parcelamento em até 96x | |
| Simular | |||
O que você vai ler neste artigo:
Resumo da notícia
- Aqui estão as informações mais relevantes da notícia sobre o Dia da Conquista do Voto Feminino:
- Em 24 de fevereiro, o Brasil celebra o Dia da Conquista do Voto Feminino, data que marca a promulgação do Código Eleitoral de 1932, que garantiu o direito de votar e ser votada às mulheres em nível nacional.
- Hoje, as mulheres representam 52% do eleitorado brasileiro, mas ainda enfrentam um desafio histórico: ocupar os espaços de poder.
- A luta pelo voto feminino começou muito antes de 1932, com décadas de mobilização e debates sobre a inclusão das mulheres no conceito de cidadãos aptos ao voto.
- Gostou do nosso conteúdo? Se quiser continuar se informando sobre assuntos financeiros e sociais, cadastre-se gratuitamente no formulário para receber as atualizações diretamente em seu e-mail.
O que aconteceu em 24 de fevereiro de 1932?
Foi nesse dia que o Brasil reconheceu oficialmente o direito ao voto feminino.
O Código Eleitoral de 1932 determinou em seu artigo 2º que era eleitor o cidadão maior de 21 anos, sem distinção de sexo, devidamente alistado. Apesar do avanço, havia uma ressalva importante: o voto feminino era facultativo naquele momento.
Ainda assim, o reconhecimento legal representou um divisor de águas. Pela primeira vez, as mulheres passaram a ser reconhecidas como sujeitas plenas de direitos políticos em âmbito nacional.
Em 2015, a data foi incluída no calendário oficial brasileiro por meio da Lei nº 13.086, consolidando o 24 de fevereiro como marco histórico da cidadania feminina.
A luta começou muito antes de 1932
A conquista não surgiu do nada. Ela foi resultado de décadas de mobilização. Desde o final do século XIX, mulheres organizadas reivindicavam participação política.
Durante a República Velha, intensos debates questionavam se a Constituição de 1891 permitia a inclusão das mulheres no conceito de “cidadãos” aptos ao voto.
Embora propostas de emenda tenham sido rejeitadas, a legislação não proibia explicitamente o voto feminino.
Nesse cenário, o Rio Grande do Norte saiu na frente. Em 1927, o estado aprovou a Lei nº 660, assegurando o direito de votar e ser votado sem distinção de sexo.
Alguns marcos importantes desse período:
- Celina Guimarães Viana tornou-se a primeira eleitora registrada no Brasil, em 1927
- Alzira Soriano foi eleita prefeita de Lajes (RN) em 1928, tornando-se a primeira mulher a governar um município brasileiro
- Bertha Lutz destacou-se como uma das principais lideranças do movimento sufragista no país.
Ou seja, antes mesmo da legislação federal, mulheres já estavam abrindo caminhos na política brasileira.
Saiba mais: Como funciona a licença para atividade política do servidor?
Primeiras mulheres eleitas após o Código Eleitoral
Com a nova legislação, as mulheres puderam, enfim, disputar eleições nacionais.
Em 1933, a médica paulista Carlota Pereira de Queiroz tornou-se a primeira deputada federal do Brasil, eleita para a Assembleia Nacional Constituinte que elaborou a Constituição de 1934.
Outros marcos históricos incluem:
- Antonieta de Barros, eleita deputada estadual em Santa Catarina, sendo a primeira mulher negra a ocupar um cargo parlamentar no país.
- Maria Thereza Nogueira de Azevedo e Maria Thereza Silveira de Barros Camargo, eleitas para a Assembleia Legislativa de São Paulo.
- Anna Lamberga Zéglio, primeira vereadora a tomar posse na Câmara Municipal de São Paulo, em 1951.
Essas pioneiras abriram espaço em um ambiente ainda predominantemente masculino.
Quer continuar aprendendo com nossos conteúdos? Entre no canal meutudo no WhatsApp e fique sempre atualizado sobre as novidades!
Mulheres são maioria do eleitorado, mas minoria no poder
Se as mulheres são 52% do eleitorado, por que ainda não ocupam metade das cadeiras no Legislativo?
Os números mostram o tamanho do desafio:
- Câmara dos Deputados: 91 deputadas federais, o que representa 17,7% das 513 cadeiras
- Senado Federal: 16 senadoras, cerca de 19,8% das 81 cadeiras
Além disso, relatório da ONU Mulheres em parceria com a União Interparlamentar apontou que, em 2025, o Brasil ocupava a 133ª posição no ranking global de presença feminina nos parlamentos.
A sub-representação revela que o direito ao voto foi apenas o primeiro passo. A equidade na ocupação de cargos eletivos ainda depende de mudanças estruturais e culturais.
Leia também: O que faz o Prefeito? Quais as funções, direitos e deveres?
Democracia plena exige representatividade
Para lideranças e especialistas, o 24 de fevereiro vai além de uma celebração histórica.
A presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Neiva Ribeiro, afirma que a data simboliza a continuidade da luta por igualdade.
Segundo ela, celebrar a conquista é reconhecer a mobilização das mulheres que vieram antes e reafirmar que a democracia só é plena com participação feminina nos espaços de decisão.
A professora e doutora em Direito, Tássia Gervasoni, reforça que o direito ao voto foi formalizado há menos de um século.
Para ela, a data serve tanto para celebrar quanto para inspirar novas batalhas por uma representação política mais justa e equilibrada.
Já a vereadora Marina Bernardes destaca outro ponto essencial: além de votar, é importante fortalecer candidaturas femininas comprometidas com pautas de igualdade.
Um direito recente diante das desigualdades históricas
Vale lembrar que, em 1932, o Código Civil ainda tratava a mulher casada como relativamente incapaz para diversos atos da vida civil. Ela precisava, por exemplo, de autorização do marido para trabalhar ou ajuizar ações judiciais.
Nesse contexto, o reconhecimento do voto feminino representou não apenas um avanço eleitoral, mas um passo decisivo na consolidação da cidadania feminina no Brasil.
Aprenda: O que faz o presidente da República?
O Dia da Conquista do Voto Feminino relembra uma vitória histórica, fruto de mobilização e coragem. Mas também evidencia que o caminho rumo à igualdade política ainda não foi totalmente percorrido.
Se há 94 anos o desafio era conquistar o direito ao voto, hoje a meta é ampliar a presença feminina nos espaços de poder. Afinal, democracia se constrói com representação.
Se este conteúdo foi útil, não deixe de se cadastrar gratuitamente aqui para receber mais artigos informativos semanalmente em seu e-mail.
Perguntas frequentes
O voto feminino sempre foi obrigatório no Brasil?
Não. Quando foi instituído, em 1932, o voto feminino era facultativo. A obrigatoriedade foi consolidada posteriormente, equiparando homens e mulheres.
Qual estado brasileiro reconheceu primeiro o direito ao voto das mulheres?
O Rio Grande do Norte, em 1927, por meio de legislação estadual, garantiu o direito de votar e ser votada sem distinção de sexo.
O Brasil foi um dos primeiros países a adotar o voto feminino?
Não. Países como Nova Zelândia (1893) e Finlândia (1906) reconheceram o direito antes do Brasil.
O que o Código Eleitoral de 1932 trouxe além do voto feminino?
Além de garantir o voto às mulheres, instituiu o voto secreto e criou a Justiça Eleitoral.